segunda-feira, 20 de outubro de 2008

A HISTÓRIA DE MANOEL PEIXOTO E AMÉLIA MONTEIRO - OS ANCESTRAIS DOS PEIXOTO DO ICÓ

A SAGA DOS PEIXOTO DO ICÓ – INÍCIO DE UMA FAMÍLIA
(Ensaio literário-biográfico escrito por Washington Peixoto, sobre Manoel Peixoto de Medeiros e Maria Amélia Monteiro)
Icó ainda despontava no final do século XIX, como uma das economias mais importantes do Ceará. O gado ainda tinha seu preço, e o algodão florescia plumoso, exportado que era para os Estados Unidos e a Europa, e mesmo já para o Recife, que iniciava sua fase de Leão do Norte, com arrojadas iniciativas da indústria têxtil desde que os ingleses por lá se estabeleceram após o Declínio de Delmiro Gouveia.
Todo o sul do Ceará e de Pernambuco mantinham relações de identidade étnica, nas raízes pernambucanas que fazia parte. Icó, por excelência, tinha suas bases genealógicas em Pernambuco; de Goiana e do Recife partiram, no passado, muitas famílias que por ali se estabeleceram. De sangue português, cristãos-novos e índios aculturados eram os fundamentos sanguíneos daquele povo que formava o Icó.
Orgulhosos de si os clãs já bicentenários e capitalisados ex-mascates do Icó, mantinham distância dos forasteiros e afastavam as suas donzelas do olhar do viajante.
(Manoel Peixoto de Medeiros e Amélia (Alencar Monteiro de Albuquerque) Peixoto (foto acervo de família, foto de 1900)
E foi como viajante, talvez para estabelecer-se na Vila do Icó, fugindo das confusões familiares do Exu e para fazer a vida, que por ali chegou Manoel Peixoto de Medeiros, era o ano de 1890. Galante, alto e de bigode, vestido com seu terno branco de linho, tão à moda da época, impressionava as mocinhas, que suspiravam pelo pernambucano!
Os Monteiro, tinham sobrenomes compostos, sílbolo de sua aristocracia. Embora não fosses família setecentistas, já tinham o seu grau de tradição no oitocentos. Adquiriras terras, gado e construíram seus casarios nas ruas nobres da Vila.
Amélia era uma de suas filhas; doce, de pele alva, prendada, fazia bordados, rendas, que fabricava para seu enxoval. No auge de sua formosura dos seus 17 anos era, coo costume da época, noiva, prometida a algum rapaz da burguesia icoense.
Com as irmãs, aos finais das tardes sentava na calçada e espiava cá e lá os transeuntes, que pra lá e pra cá, passavam pela Rua Grande.
Além do Teatro de Pedro Théberge, de recente construção, que ocasionalmente exibia algum drama o domingo dia de missa cantada na Expectação. Raros momentos de lazer e encontro de jovens, ao derredor do coreto da praça, que a sociedade ansiosa aguardava, quando podia-se tirar os vestidos do baú e os paletós domingueiros e ir toda a família, com seus leques e guardas-sóis para a igreja, ouvir a missa em latim, e depois flertar com ares pueris na praça.
E, foi aí que Amélia viu aquele moço moreno claro e esbelto, diferente.... e suspirou...Só o silêncio sabe como se achegaram, mas achegaram-se...e aparixonaram-se.
Manoel, um dia, homem de coragem , de sangue forte pernambucano de Exu, pediu a mão de Amélia ao velho Monteiro, que com um olhar fulminante para o atrevido forasteiro, deu-lhe como resposta um sonoro Não!
A paixão entre os dois, porém, foi mais forte. De forma que um dia Amélia Monteiro e Manoel Peixoto, uniram-se sob as bênçãos da igreja. Era o ano de 1895. Escândalo, desafiara os pais, e mais que isso, deserdada abandonou os sobrenomes Alencar, Albuquerque e Monteiro, pois daí por diante chamar-se-á Amélia da Silva Peixoto. O conflito com os pais fizera-lhe excluir os apelidos da família.
(Parentes de Amélia Monteiro, possivelmente uma de suas irmãs)
Do casal nasceram 11 filhos. 7 homens: Urbano, Damon, Luiz, Raimundo, José, Antônio, Quilon; e 5 mulheres: Florentina, Odécia, Maria de Lourdes, Carlinda e Carlota. Surgia o clã dos “Peixoto do Icó”.
Os meninos e as meninas nasceram e cresceram unidos - que só a morte os separaria - sem a presença de primos, embora os houvessem. Amélia não voltaria a falar com os pais, que não abençoaram o enlace - Conta-se que no leito de morte sua mãe a perdoou e a bençoou novamente... e Manoel jamais voltaria para Exu.

(Antonio Peixoto, em foto de 02 de outubro de 1937, foto acervo de família) Já por volta de 1905 a tuberculose aos poucos minguava a vida de Manoel, que o liquidaria por volta de 1914, em breve Maria Amélia partiria também, deixando a filharada na orfandade, desamparada naquele Brasil ainda sem a previdência social e um ano depois o Nordeste era assolado pela terrível seca de 1915. Os mais velhos, precocemente tornaram-se adultos e assumiram a chefia da família. Urbano, Damon, Luiz, Raimundo, José, Antônio, Quilon, cuidavam do gado p’ra não morrer de fome e sede e do comércio. Florentina das irmãs e da casa, dos bordados e das costuras. Odécia já confeccionava flores, que ornamentava o arco do Senhor do Bonfim!E foi assim que naquele final do século XIX, nascia o meu ramo familiar materno, que hoje em parte, mora no Icó, e dá sua contribuição de vida, parte vive pelo Brasil afora.... Mas com o orgulho de ter em seu sangue o sangue de Amélia Monteiro e Manoel Peixoto, gente forte, guerra e determinada, que cresceu na pobreza,na luta e no trabalho, com os fundamentos do respeito pelo outro, pela ética, pela honestidade e por um espírito de pertença à família, que ainda hoje existe, mesmo com a parentela espalhada Brasil afora, mas quando encontra algum dos seus, sente uma alegria imensa como se encontrasse um novo irmão. Foi o legado daquele casal do novecentos.
(minha homenagem aos meus bisavós, pela linha colateral do avô materno, sou neto de Urbano)

2 comentários:

Anônimo disse...

Prezado Washington,

Nós descendentes dos Peixoto de Medeiros no Rio de Janeiro ficamos muito felizes com os dados que você disponibilizou e as imagens, vamos guardar aqui.

Grande abraço,

Netos, bisnetos e trinetos de Manoel Peixoto de Medeiros e Maria Amélia Monteiro no Rio de Janeiro

Antonio Jota disse...

Muito legal, Washington, parabéns! Quando tiver um tempinho disponível, leia meu romance 'A Curva do Rio' no site www.biblioteca24x7.com.br.

Forte abraço e fique com Deus.