sábado, 22 de agosto de 2009

CORSÁRIOS DE FRANÇA NA IBIAPABA


A presença dos franceses na Ibiapaba, entre 1590 a 1604, deu-se dentro da contextualização a presença dessa nação no Brasil, tanto na chamada criação da França Antártica, entre 1555 a 1560, na região de Cabo Frio até o Rio de Janeiro e no Maranhão, entre 1612 a 1615, embora que os territórios da Serra de Ibiapaba ficassem em zona de conflito de territórios entre os “Estados do Maranhão” e “Estados do Brazil”, mas era Capitania do Ceará, anexada à de Pernambuco.

Seguramente o ano de 1590 é marco inicial da presença dos franceses na Serra de Ibiapaba. Nesta época, Portugal e França disputavam entre si a “descoberta” das terras brasileiras. Não se pode, entretanto, dizer que houve naquele momento intenções claras de uma “colonização” francesa. Melhor explicando não há indícios de políticas de oficialização da instalação de moradores permanentes (colonos) nos territórios da Ibiapaba. Houve sim, sob o comando de Adolf Montbille ( ), uma expedição francesa à Serra de Ibiapaba, onde hoje encontra-se Viçosa, alí fundaram uma feitoria e um forte destinado à comercialização de pau-de-tinta e drogas da terra.

A presença francesa foi amigável, conseguida através de alianças com os Tabajaras, senhores da região. Aliança essa que significava, para o seu sucesso, em linguagem de hoje melhoria na “qualidade de vida”, com a troca das mercadorias da terra por instrumentos agrícolas, armas, quinquilharias e vestimentas.

Há quem se arrisque afirmar que o principal dos nativos tabajara era Irapuã, traduzindo para o português como “Mel-Redondo”, mas estes dados possivelmente são indicações criadas ou recolhidas posteriormente da tradição oral, para dar solidez e justificar fatos históricos.

Quanto à vida coletiva do povoado Aragão assim nos narra:

“Transformou-se o reduto em verdadeira cidade, contendo cerca de doze mil indivíduos e a desenvolver diversos misteres. (...). Deu-se ao lugar certo perfil urbano, com alinhamento de casebres e ruas, dentre estas a Rua de Paris, local de tavolagem, embriaguez e desordens ou réplica da vadiagem parisiense e Rua da Pedra Lipse, antro prostibular da "cidade". A denominação da rua tem origem no conceito popular segundo o qual se associa, a certas doenças venéreas, a emprego desse brutal medicamento na cura dos engalicados.”
”, (ARAGÃO, Raimundo Batista. Historia do Ceará)


Fato histórico é que os franceses foram os primeiros europeus a pisarem o solo da região da Ibiapaba. Todavia a presença desses Franceses não trouxe nenhum elemento cultural para os nativos, talvez um pouco da ambição por bens materiais,motivos de suas estadias exploradoras nessas terras desconhecidas das culturas autócnes.

A frágil presença dos franceses na Serra da Ibiapaba é finda com a chegada das tropas de Pero Coelho de Sousa, em data incerta, mas no início do Século XVII, entre 1604 a 1609.

A expulsão dos franceses, retratada em literaturas apologéticas, se deu da seguinte forma:
“montou seu acampamento ao sopé da montanha, banda leste e a medir cerca de dois quilômetros dos alojamentos franceses. Pero Coelho fazia-se acompanhar de aproximadamente cinco mil indivíduos, entre militares, índios válidos, velhos, mulheres e crianças. Mandou tocar a corneta mincha, notificando a se rederem os ocupantes do reduto, porém estes não concordaram. Deu-se o confronto. Do lado de baixo estrondeavam os morteiros. De cima os céus se enegreciam cruzados de flechas. Ao cabo de seis meses, em que baixas se registraram em ambas as as facções, triunfou a supremacia lusa. Os franceses, aprisionados e algemados foram conduzidos a Pernambuco, onde deveriam tomar novos destinos. Quanto aos líderes indígenas, estes foram submetidos e levados a juramento de fidelidade ao monarca português, perdendo dos seus domínios a soberania”.



Claro é que o texto acima transcrito retrata uma criação literária – particularmente jesuítica - cujas virtudes heróicas foram fabricadas pelo lado lusitano. Exageros à parte, fato é que após essa “batalha” os territórios “Ibiapabanos”, passaram a ser o limite das regiões dominadas por portuguesas. Daí por diante a Serra da Ibiapaba será o ponto-limite de onde os portugueses tentarão chegar ao Grande Maranhão, que de fato são todos os territórios brasileiros hoje ocupados pelos Estados do Maranhão, Pará e Amazonas (Grão-Pará). Daí tão grande interesse pela Ibiapaba, pois no imaginário do homem português esse “Maranhão” era um verdadeiro eldorado, seria por lá que estariam verdadeiramente as grandes possibilidades de enriquecimento para si e para a Coroa d’el Rei.


Dessa efêmera passagem dos franceses na Ibiapaba, talvez os remanescentes deixados, tenham sido alguns DNA’s, presente nos mestiços, nascidos das cunhãs e muitas doenças (sexualmente ou não transmitidas) e podemos afirmar, que eram “Homens de ganância, não de cultura; mais contrabandistas do que colonos” (in Pedro Calmom, História do Brasil, vol I, p. 193, Livraria José Olimpio Editora, Rio de Janeiro, 1981), e que por essas virtudes não diferenciavam-se dos portugueses, igualmente cristãos.

Aliados aos franceses vieram ajuntar-se índios fugidos de Pernambuco, pós a tomada pernambucana aos holandeses, índios esses calvinistas, alfabetizados e letrados que traziam consigo a bíblia embaixo do braço.



(Texto Washington Luiz Peixoto Vieira - Se copiar cite a fonte - wlpv1@hotmail.com)

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