terça-feira, 6 de dezembro de 2011

NATAIS CORPORATIVOS: WE ARE THE CHAMPIONS

Existem natais para todos os gostos. Os Papais Noéis já invadiram todos os centros de compras. É a Civilização Cristã Ocidental mostrando ao mundo o seu vigor, a sua pujança. É a supremacia do Capital. É o “Espírito” do Natal: “We Are The Champions”

Alvoroço geral. É necessário comprar. É necessário gastar. É necessário festejar!

É a época dos Natais Corporativos, aquelas reuniões semi-formais, extensão do ambiente de trabalho e com todas as suas hierarquias. É a ocasião em que o “Poderoso Chefão” dá o ar de sua graça e envolve-se com a “patuléia” subalterna. São as festas de confraternização, que quer dizer festejar com os irmãos.¹

Neste tipo de “Natal” todos têm que manter a linha e o autocontrole, evitar excessos, planejar previamente como irá agir diante dos chefes. Dali podem sair várias demissões ou ascensões. Existem vários livros de auto-ajuda corporativa que dá as dicas como se comportar e não queimar o filme. Ali não existem pessoas, existem processos.

Tudo obedece à ordem estabelecida. Se for um almoço mais formal as disposições dos locais individuais e coletivos estão bem definidas, evitando-se assim que as fronteiras sejam invadidas.


Se for num ambiente mais descontraído é necessário observar muito bem até onde pode ir cada um. Geralmente o Staff senta-se juntinho, numa intimidade familiar. Os “superiores” dão uma pequena volta cumprimentam sorridentes aos presentes, passam a tropa em revista, desejam “Feliz Natal” e recolhem-se ao seu enclave. É preciso evitar intimidades desnecessárias, abraços efusivos, beijos calorosos. Evitar excessos na comida e na bebida, isso pega mal. Cada um fique na sua, cada macaco no seu galho.

É um Natal falso, postiço, artificial, torna-se uma obrigação, uma festa com relógio de ponto ou lista de chamada. Aquele funcionário que porventura não está por algum momento naquele espaço, simplesmente não existe, dada a ambição e individuslismo generalizado (cada um quer o seu presente qual criança imatura), os presentes são sorteados e distribuidos. Aqueles que porventura ou força maior nao puderam participar são excluídos da mesa da "freternidade" de mentira.


Já vi alguns em que os comes e bebes servidos aos chefes é diferente da servida aos subordinados. Isso não é Natal, pode ser qualquer outra coisa, mas não é a festa do nascimento do ideólogo ocidental da fraternidade sem limites.

Já vi outros “Natais Corporativos” em que cada um faz sua festa privada e paga a sua sua conta em restaurante Self service. Seria um “anti-natal”? O individualismo canonizado?
Intuo que o Natal é, ou tem se transformado, em uma auto-referência, ao sucesso do capitalismo e todos os seus próprios paradigmas, tais como o individualismo, o esnobismo e também sobre os demais sistemas econômicos, particularmente o socialismo.

Se o sistema vai bem o “Natal” vai bem é um sucesso. Se o sistema vai mal, o Natal desaparece e Papai Noel nem pinta no pedaço, talvez a grana foi curta para a ração de suas renas...

Será que o Natal não festeja mais o nascimento de Jesus?




1. O verbo confraternizar vem «de confraterno + -izar», enquanto confraterno deriva «de con- + fraterno». Por sua vez, fraterno vem «do latim fraternu-». Confraternizar significa «conviver fraternalmente; tratar como irmão» e, ainda, «professar as mesmas crenças e sentimentos que outrem» ou «reunir-se em ambiente de convívio».
[Cf. Grande Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora]

Crônica: wlpv. Imagem: Montagem.

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