Liliane de Carvalho Silva, a Lila, ou Tia Lila, como muitos marmanjos ainda a chamam desde os tempos de professora do “Jardim de Infância” no Patronato de Viçosa é uma daquelas personalidades que evoluíram em sua concepção de mundo. Do mundo maravilhoso - e cor de rosa - de Alice, às lutas pelos movimentos de esquerda e sindicais até impor-se como uma feminista, mobilizadora e carismática. Quase um João Batista de saías a clamar pelo deserto!Dona de uma história de vida e de luta que daria roteiro para um filme, Lila até nos seringais da Amazônia já foi missionária do CIMI, como também do MST, afora os sindicados de trabalhadores em educação e atualmente a perpétua e árdua luta pelos direitos das mulheres, particularmente as mulheres da região da Ibiapaba, onde vive, em conjunto com outras companheiras do MIM (Movimento Ibiapabano de Mulheres).
Tomo a liberdade de publicar a entrevista com a Lila, editada na 21ª edição do Jornal Correio Ibiapaba de 29/10/2011, que é Presidenta do Movimento Ibiapabano de Mulheres (MIM).
ENTREVISTA:
Liliane de Carvalho Silva - Em todas as mobilizações na Ibiapaba, que envolve o interesse coletivo e a inclusão em todos os aspectos: da mulher, do negro, dos indígenas ou de algum grupo que seja discriminado, lá está o MIM, representado por Liliane Silva, que costuma saudar as platéias com o seu tradicional: bom dia a todas e a todos. Ela fala ao Correio Ibiapaba sobre o início do movimento e a participação da mulher ibiapabana no mercado de trabalho.
CI: Como surgiu o Movimento Ibiapabano de Mulheres?
Liliane: Ele surgiu em 2004, no processo de preparação para 1ª Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres, que tinha como objetivo elaborar o primeiro plano nacional de políticas para as mulheres. Na época, formamos uma comissão organizadora, com o apoio do Fórum Cearense de Mulheres, e percorremos todos os municípios da serra organizando as mulheres em torno dos cinco eixos temáticos que orientavam a preparação para essa conferência: violência contra as mulheres, as mulheres no mundo trabalho, as mulheres e o poder, educação não-sexicista e a questão do racismo. Depois desse exercício de reflexão sobre essas questões, achamos que tudo aquilo tinha sido muito bom pra gente e nos animamos a dar continuidade a esse processo e foi assim que o MIM foi surgindo. As reuniões foram mantidas.
CI: De que forma as mulheres ibiapabanas podem se engajar no MIM?
Liliane: Elas têm dificuldade em participar. Ter mulheres no movimento é um desafio. Quando elas já atuam nos movimentos sociais, elas já estão sobrecarregadas, quando não estão inseridas, elas têm dificuldades em repartir o serviço doméstico e isso tem dificultado a participação delas no MIM. Mas qualquer mulher que queria conhecer o movimento, não necessariamente participar, pode entrar em contato com qualquer companheira do movimento sindical nas cidades da Ibiapaba.
CI: Como a senhora vê a participação das mulheres no mercado de trabalho na Ibiapaba?
Liliane: A gente percebe que muitas delas ainda estão no trabalho informal, de manicure, de vendas de cosméticos, nas feiras, no comércio, no serviço público, em especial na área de educação e saúde. A problemática do trabalho doméstico na região é que a grande maioria delas estão desprotegidas, raríssimas são aquelas que têm carteira assinada. No comércio é do mesmo jeito são raras as lojas que empregam e assinam a carteira. No serviço público o problema maior é o assédio moral, que é predominante, por conta dessa política do coronelismo, o voto de cabresto.
CI: Na sua visão, o que pode ser feito para erradicação da miséria do Brasil?
Liliane: Eu penso que a primeira coisa a se perguntar é por que existe a pobreza no Brasil. A pobreza existe porque há a concentração de riquezas, é isso que gera a pobreza. Se a gente quer combater a pobreza, temos que repartir a riqueza produzida. E aí temos que mudar as leis tributárias do nosso País para que aqueles que ganhem mais, contribuam mais. O que é o imposto que você paga por um pote de margarina que você compra se você ganha muito e o que representa esse imposto para quem ganha pouco? Aparentemente tem uma situação de igualdade, mas na verdade não existe essa igualdade
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