quarta-feira, 18 de março de 2009

SÉRIE RAÍZES: VIEIRA, PASSOS E SIQUEIRA DE VIÇOSA DO CEARÁ

As origens históricas da família Vieira, em Viçosa do Ceará, remontam à primeira metade do século XVIII, mais precisamente por volta de 1739 ou 1740.

Essa antiga família do setecentos está ligada à própria história da colonização do Ceará a partir do século XVIII. Porém poucos tem conhecimento desses fatos, de forma que outros clãs se insurgem, em tempos mais recentes, apagando as origens dos antigos colonizadores portugueses do século XVIII e seu processo de inculturação e miscigenação.
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É sabido que a colonização do "Siará Grande", como era designado o que hoje se entende mais ao menos ao Estado do Ceará, nordeste brasileiro, se deu muito tardiamente em relação ao Brasil, pois os indígenas ali estabelecidos desde tempos imemoriais e outros que migraram do litoral resistiram à invasão e ocupação portuguesa. Eis a razão pela qual a ocupação portuguesa buscou ajuda aos missionários religiosos, particularmente aos jesuítas – que tiveram já em 1608, insucesso na região da Ibiapaba (cuja emblemática, levada à cabo por muitos anos, foi a célebre morte do missionário Francisco Pinto, cantada e decantada na literatura religiosa e apologética do padre Antonio Vieira) e que só iriam fundar reduções a partir do final do século XVIII, quando os próprios índios o requereram, como uma forma de defender-se da ferocidade dos bandeirantes, vendo-se na iminência de tornarem-se escravos dos colonizadores.

Os Vieira, ao longo de dois séculos e meio séculos foram perdendo a história de suas origens, crescendo em número e diminuindo em importância econômica, política e cultural - avessos que são, por tradição familiar, a essa última atividade humana como profissão. Isso se deu por orgulho de suas ancestrais, que mantiveram-se no isolamento rural, sem abertura a outros clãs, assim casavam-se primos com primos, fechando-se ao mundo e ao progresso, muma total, falta de visão e consciência de mundo, da mudança dos tempos e o conseqüente investimento em educação mais aprimorada de sua prole, dentre outros aspectos.

1.1. A origem do sobrenome Vieira: Todos os apelidos portugueses vêm geralmente de algum lugar ou de alguma atividade profissional. No caso específico Vieira pode ter se originado na região do Minho, município português do distrito de Viana do Castelo ou da freguesia do conselho de Vieira do Minho, bem como Vieira de Leiria, freguesia do conselho da Marinha Grande, daí o símbolo da concha em leque utilizado nos brasões tradições, com as seguintes significações:

a) De cunho teológico e espiritual a Vieira leva-nos a uma história sobre
Santo Agostinho, " que, encontrando um jovem na praia, que com uma concha procurava pôr toda a água do mar num buraco cavado na areia, lhe perguntou o que fazia; e, tendo obtido a resposta, explicou-lhe a sua vã tentativa, e, assim, Santo Agostinho compreendeu a referência ao seu inútil esforço de procurar fazer entrar a infinidade de Deus na limitada mente humana. Está aí expresso um convite ao conhecimento de Deus, mesmo se na humildade da incapacidade humana.”, conforme explicações do brasão do papa Bento XVI, que a tem em suas armas.

b) De cunho material e existencial: A Vieira dourada ou em cor amarela utilizada nos brasões simboliza a nobreza, autoridade, premência, generosidade, ardor religioso..
1.2. - João Vieira Passos, o fundador:A história dos Vieira na Ibiapaba tem início a partir de um João Vieira Passos¹ de origem portuguesa, que chegara às terras brasileiras por volta de 1739 ou 1740. Certamente esse personagem histórico achegou-se à Ibiapaba movido pelos indícios do desenvolvimento econômico da Redução Missionária de São Francisco Xavier, cuja tomada dos jesuítas criadores e gestores do sistema até ocorreu em 1759 ou mesmo em busca do eldorado perdido a que as montanhas brasileiras despertavam nos aventureiros e colonos.

Mas deixando de lado o romantismo é interessante notar que a partir de 1750 a política da coroa portuguesa volta-se contra as práticas missionárias que se tinham implantado em suas colônias, desde o século cujas as idéias de “secularização das missões” são postas em prática, o que significada tomar o poder dos padres católicos e entregá-la nas mãos dos civis e isso possivelmente induziu muitos portugueses a aventurarem-se nessa empreitada, fato que iria acontecer em 1757, com a expulsão dos jesuítas das colônias portuguesas.

A base geográfica dos Vieira em Viçosa estavam nas terras da Buira (8) e Ubari, portanto fora do aldeamento missionário e à espera da tomada de poder pelo estado português, cujas terras, no geral, foram adquiridas em leilão.

Conforme pesquisas genealógicas publicadas os Vieira teriam um mesmo tronco comum de João Vieira Passos. Os registros genealógicos dão conta que João Vieira Passos, (+- 1723 - 1773), foi pai de João Álvares Passos (+- 1765-1815), "João Ruim", como ficou conhecido no sertão de Granja, casou-se com Genoveva Rodrigues da Câmara, filha do português António (...) que gerou João Antonio Vieira Passos (+- 1782 -1832), cuja mulher era Florinda Siqueira (?) no caso específico pais de José Antônio Vieira (+- 1799 - 1849), a partir do qual desenvolvemos árvore genealógica objeto desse estudo. (2)

Após a expulsão dos Jesuítas e a implantação do Diretório dos índios e a criação da "Villa Viçosa Real" , em 07 de julho de 1759, iremos encontrar formando a administração da Vila, como vereador, um tal de Agostinho de Brito Passos, o que intuo como um dos descendentes de João Vieira Passos, filho ou sobrinho, talvez.

João Álvares Passos (1765-1815)2 , tinha o cognome de "João Ruim"³. Tinha a fama de perverso, possuía cativos(4). Dado a ausência da escravidão africana em terras Cearenses, particularmente na região Hoje conhecida como Ibiabapa e Viçosa, e dado a coincidência do tempo histórico de João Álvares com a expulsão dos Jesuítas, a dispersão dos índios e o escravizamento desses, então fora da proteção missionária, intuo que João Álvares teria sido um desses homens que criou o seu patrimônio pelas mãos dos “caboclos” escravizados, (6) como eram chamados os aborígines brasileiros. Mas ao que parece João Álvares Passos morreria endividado.

Nos dias atuais a grande família está espalhada por todo o Brasil - e mundo- como também muitos de seus descendentes permanecem em Viçosa, tanto na urbe quanto na região rural. Tanto pessoas com recursos econômicos e culturais como trabalhadores mais humildes e até sem escolaridade.

Em minhas pesquisas, a partir de minha própria árvore genealógica pelo lado de meu avô Paterno, Francisco José Vieira, consegui, com auxilio de minha tia Mª Carmélia Vieira, identificar parte dessa grande família a partir de meus tataravôs José Antônio Vieira e Cândida Siqueira Vieira, dados por vezes necessitando de correções, alterações e ampliações, particularmente dado a enorme repetição de nomes "Franciscos" e "Franciscas" e casamentos com parentes próximos (endogamia), sem contar o distanciamento das pessoas, por razões diversas, contando ainda com migrações para outras regiões e cidades dadas ao longo do século XIX e XX.

A fim de melhor esclarecer esses fatos solicito ao leitor, da mesma árvore geológica que nos ajude a identificar melhor essa linhagem, inclusive com as datas de nascimento e mortes que permanecem perdidas pelo tempo.Isso ajudará a construir melhor a história da família entendendo a nossa realidade na formação cultural e histórica de Viçosa, do Ceará e do Brasil.

1. João Vieira Passos, (+- 1723 - 1773);


2. João Álvares Passos ( .... -1845), "João Ruim", como ficou conhecido em seu tempo, casou-se com Genoveva Rodrigues da Câmara, filha do português António Ferreira Alvarenga e Ana Maria Rodrigues da Câmara; http://iconacional.blogspot.com/2009/06/ancestralidade-dona-victoria-rodrigues.html e neta de Victória Rodrigues da Câmara, que se diziam ser filha natural do padre jesuíta Ascengo Gago com uma índia filha do cacique d. Felipe de Sousa Castro.


3. João Antonio Vieira Passos (+- 1782 -1832), cuja mulher era Ângela Maria de Jesus no caso específico pais de, (entre outros filhos aqui não demonstrados):


4. José Antônio Vieira (+- 1799 - 1849), a partir do qual desenvolvemos árvore genealógica objeto desse estudo.
4. José Antônio Vieira (f.21.7.1918) e Cândida Hermelina de Siqueira (f.11.11.1912), contrairam matrimônio por volta de 1820/1827, na Matriz de Nossa Senhora da Assunção da Villa Viçosa Real d'América, oficiado pelo padre Manoel Pacheco Pimentel (1825-1827), tiveram os seguintes filhos:


4.1.. Raimundo José Vieira, que casou com Raimunda Hermelina de Siqueira;


4. 2. João Calixto do Siqueira, que casou com Maria José Vieira;


4.3. Conrado José Vieira, que casou com Leonor Carneiro Mapurunga;


4.4. Antonio José Vieira, que casou com Maria José Álves de Siqueira, (álibe Álvares de Siqueira) bisavós do autor desse artigo.


4.5. José Antonio Vieira, que casou-se com Raimunda Vieira de Sousa;


4.6. Maria Genoveva de Siqueira, que casou com Manuel Lopes de Araújo;


4.7. Jacinta Vieira;


4.8. Francisca Vieira que casou com Antonio Domingues Veras;



DA DESCENDÊNCIA DOS FILHOS DE JOSÉ ANTONIO E CÂNDIDA HERMELINA:




Foto de Antonio Siqueira Vieira, feita em 1950, em sua casa na Buíra, repare na rusticidade da habitação


4.4. Da parte de Antonio Jósé Vieira (1870 - 22.07.1955), c.c. Maria José de Siqueira (1876 -15.04.1942), filha de Francisco Machado de Siqueira e Florinda Álvares Siqueira. Primos legítimos. Contraíram matrimônio em 03 de julho de 1888, ela então com apenas 12 anos, na Matriz de Nossa Senhora da Assunção da Villa Viçosa Real d'América, oficiado pelo Padre José Bevilácqua (1844-1905). O casal passou a coabitar como marido e mulher somente em 1896. Por alegada "promessa" de Maria José todos os filhos receberam o nome no batismo de Francisco e Francisca, de forma que a maioria dos filhos tem o mesmo nome, todos porém eram chamados por putros nomes: Rosa, Florinda, Teté, Homim, Frasquim, Florinda, Benedita, Santa, Siqueira, Mocinha, Sinhá (conforme abaixo) sem os ter de fato em seus registros. Conta-se, em família, que isso se deu por conta de Mª José "não se dar muito bem com a sogra" de nome Cândida que Antonio Vieira, queria dar á filha mais velha, assim sendo a "promesssa" fora inventada para evitar o contragosto. Os netos o chamavam ao avô de "Padrinho Vieira".
4.4.1. José Vieira de Siqueira, contraiu matrimônio com Francisca Vieira de Siqueira. O casamento de Zé Vieira foi em Parnaíba/PI, para onde havia migrado em sua juventude, tiveram sete filhos.
4.4.2. Francisco José Vieira (17.02.1898 - 05.04.1975), contraiu matrimônio com Luíza Amélia Marques Viana (27.12.1905 - 25.02.1978). Filha de João Maraues Vianna JOÃO (*1875- †... ) c.c. Philomena Marques Vianna (Filó) http://iconacional.blogspot.com/2009/05/familias-vicosenses-marques-viana.html, naturais de Viçosa do Ceará, casamento realizado na Matriz de Nossa Senhora da Assunção de Viçosa em fevereiro de 1922, oficiado pelo Padre José Carneiro da Cunha (1912-1939). Residiram em Viçosa. Estão sepultados no Cemitério São João Batista. O casal teve 14 filhos, criando-se 10. Francisca Amélia Vieira (Neném), primogênita nascida em 29.01.1924. Professora de peimeiras letras em Viçosa, educou gerações, Irmã Maria Amélia Vieira, (Amelinha). É religiosa conhecida como Irmã Lúcia Vieira, Filha da Caridade de São Vicente de Paulo, reside em Caicó/RN, há mais de 50 anos, onde é um ícone no cuidado com idosos e educação da juventudde, Honorina Amélia Vieira, (Nitinha), casada com Giornado Porto de Macedo, sem filhos, Irmã Maria Helena Vieira, (Dolena). Filha da Caridade de São Vicente de Paulo da Província de Belo Horizonte, integrava o primeiro grupo de religiosas a habitar Brasília em 1960, fundando a creche Medalha Milagrosa no Lago Sul, hoje desenvolve trabalhos sociais no Bairro da Ceilância, no Distrito Federal, Maria Filomena Vieira - falecida criança, Luiz Gonzaga Vieira, servidor da Receita Federal, falecido em 1987, casado com Maria Nilva Teixeira Peixoto, http://iconacional.blogspot.com/2009/04/familias-cearendes-origem-dos-teixeira.html. Hugo Vieira, falecido criança, Vicente de Paulo Vieira, Oficial da reserva da Marinha, casado com Mª do Socorro Pacheco de Siqueira Vieira. Fernando Vieira, e Hugo Vieira, falecidos criança, Francisco de Assis Vieira, Serventuário da Justiça aposentado,(faleceu em 03.01.2011, sepultado no Cemitério de Viçosa em 04.01.2011) casado com Maria das Vitórias Fontenele. Maria Carmélia Vieira, Educadora do Estado do Ceará, graduada em Estudos Sociais, Áurea Stela Vieira, falecida com problemas cardíacos no Rio de Janeiro em 1973, foi professora estadual do Grupo Escolar Júlio de Carvalho. Foi sepultada no Rio de Janeiro, teve seus restos mortais trasladados posteriormente para Viçosa, onde se encontra no jazigo da família e Maria Francinete Vieira, Educadora, com várias graduações e especializações, viúva de Ednaldo Siqueira Pacheco, falecido em maio de 2009. http://iconacional.blogspot.com/2009/05/blog-post_12.html.


4.4.3. Francisco (Raimundo) Siqueira Vieira, c.c. Violeta Cunha Cavalcanti. O casal passou a residir em Fortaleza a partir dos anos de 1960, onde faleceram e foram sepultados.


4.4.4. Francisca (Florinda) Siqueira, sem descendência. Faleceu nos anos de 1970, em Viçosa , e está sepultada no jazigo de Fcº José Vieira ;


4.4.5. Francisca (Rosa) Vieira, c.c. Perilo Elpídio dos Santos, sem descendência – Rosa casou-se com Perilo já em idade avançada, quando ele jé era viúvo, moravam no distrito de General Tibúrcio. Rosa faleceu nos anos 1980, em Viçosa, e está sepultada no jazigo de Fcº José Vieira.


4.4.1.6. Francisca (Benedita) Vieira Siqueira, c.c. João Calixto de Siqueira Filho, primos em 1º grau. Moravam no Juá dos Vieiras, distrito de Viçosa com descendência;


4.4.7. Francisca Vieira Siqueira (Siqueira), c.c. Antonio Tavares, dos quais nasceram quatro filhos. Após a morte de Patriarca a família mudou-se para Fortaleza;


4.4.8. Francisco Vieira Siqueira (Fransquim). Faleceu em Viçosa, sem descendência; Está sepultado no cemitério do Sítio Buíra.


4.4.9. Francisca Vieira Siqueira (Mocinha) c.c...... , com descendência. Dos quais nasceram seis filhos.


4.4.10. Francisca Siqueira Vieira (Sinhá), c.c. Antonio Passos. Do casal nasceram seis filhos.


4.4.11. Francisca (Santa) Siqueira Vieira c/c José Veras Vieira (1.6.6). Com descendência.


4.3 - Da parte de Conrado José Vieira,c.c. Leonor Mapurunga, ela era filha de Maria Joaquina e José Carneiro da Cunha Mapurunga, eles eram primos legítimos.


4.3.1. Maria Mapurunga Vieira c.c. Tomaz Pereira;


4.3.1. – Cândida Mapurunga Vieira c.c. Antonio Cardoso Sobrinho;
4.3.3. – Osina Vieira c.c. Antônio da Paz dos Santos;
4.3.4. – Francisca Mapurunga Vieira c.c. Raimundo Paz dos Santos;


4.3.5. – Raimunda Vieira Mapurunga c.c. João Vieira de Araujo; 4.4.6.– Maria Mapurunga Vieira (Arica) c.c. Vicente Domingos;


4.3.7 – José Conrado Vieira c.c. Rosalina Firmina de Miranda;


4.3.8 - Antônio Conrado Vieira c.c. Cândida Veras Vieira;


4.3.9 - Manoel Conrado Vieira c.c. Vicência Helena de Araújo;


4.3.10 - Norberto Conrado Vieira c.c. Durçulina Beviláqua Vieira, filha de Fcº Vieira e Mª Beviláqua (ver abaixo) e em 2ªs núpcias com Júlia Ferreira de Sousa.


4.3. Da parte de João Calixto de Siqueira c.c. Maria José de Siqueira, do casal nasceram:


4.3.1. José Nolasco Pereira (n. 1885);


4.3.2. Maria Siqueira de Araújo c.c. Joaquim Teodoro de Araújo;


4.3.3. Joaquim Pereira de Siqueira (n. 1892);


4.3.4. Francisco Calixto de Siqueira (n. 1895);


4.3.5. João Calixto de Siquira Filho (n. 1895) c.c Benedita Vieira de Siqueira;


4.3.6. Conrado Calixto de Siqueira (n. 1896);


4.3.7. Manoel Calixto de Siqueira (n. 1897);


4.3.8. Maria do Livramento de Siqueira (1901) c.c. Raimundo Pereira;


4.3.9. Raimunda Siqueira de Sousa (n. 1903)


4.8. Da parte de Francisca Vieira casada com Antônio Domingues Veras.


4.8.1. Florinda Vieira Veras, c.c. José Francisco de Miranda. Florinda e Zé Miranda moram em Viçosa, onde faleceram. Estão sepultados no Cemitério S.João Batista. Dos quais nasceram os filhos: Júlia Vieira de Miranda, Maria Vieira de Miranda, solteira, Francisca Vieira de Miranda, falecida solteira em 2008, José Felipe Vieira de Miranda, Maria de Lourdes Vieira de Miranda, c.c. Francisco Pacheco, com descendência.


4.8.2. Elvira Veras Vieira, c.c. Felizardo Fontenele Pacheco. Contraíram matrimônio na Matriz de Nossa Senhora da Assunção em viçosa do Ceará em 1922, oficiado pelo Rev. Mos. José Carneiro da Cunha. Felizardo faleceu em 1977 e Dª Elvira nos anos de 1980. Estão sepultados em Viçosa. O casal teve 08 filhos: Luís, Antonio, Francisca (Chiquinha), Maria Veras (Bahia), Rosa (Lolô), George, Irmã Maria Helena , religiosa (FC), José (Teteco), Veras e Dilma Veras Pacheco.
4.8.3. Honorina Veras Vieira , c/c... com geração;
4.8.4. Alaíde Veras Vieira, c/c... com geração;
4.8.5.. Antônio Veras Vieira, c/c ... com geração;
4.8.6. José Veras Vieira, c/c Francisca (Santa) Vieira de Siqueira (1.1.12)

4.1 Da parte de Raimundo José Vieira, casou com com Raimunda Ermelina de Siqueira (contraiu 3 matrimônios): Essa árvore genelógica torna-se complexa dado o grande número de matrimônios e membros da família, que engloba grande parte da família "Pacheco" de Viçosa;Das 1ªs núpcias com Ermelina


4.1.1. Tristão Vieira (n. 20.12.1880 - f. 14.07.1858), casado em primeiras núpcias com Raimunda dos Santos, (dª Mundoca, n. 18.7.1887, f. 29.8. 1922) filha de Antonio Jorge dos Santos e Joana Fancelina dos Santos , naturais de Parnaíba (Dª Mundoca);


4.1.1.1. Francisca dos Santos Vieira (Santa) 1909- 1997 , c.c com João Evangelista de Miranda (1896 - 1959) , filho de Vicente Ferreira de Miranda e Júlia Carneiro Mápurunga;


4.1.1.2. Francisco Tristão Vieira (Toca), c.c. com Claudina Lopes ( natural de Granja/CE, que depois de casados passaram a residir em Tutóia/MA);


4.1.1.3. Francisca Maria Vieira Carvalho (Mira) Vieira, c.c. com Antônio Feliciano de Carvalho;


4.1.1.4. Francisca das Chagas Carvalho;


4.1.1.5. Francisco Raimundo Vieira;


4.1.1.6. Francisca das Chagas Vieira.


Em segundas nupcias de Tristão com Joaquina de Sousa Vieira (n. f. 18.04.1941), nasceram os filhos:


4.1.1.7. José Tristão Vieira;


4.1.1.8. Pedro Tristão Vieira;


4.1.1.9. Maria Edite Vieira;


4.1.1.10. Mariana de Sousa Vieira;


4.1.1.11. Teresa de Sousa Vieira;


4.1.1.12. Antônio Tristão Vieira;


4.1.1.13. Raimundo Tristão Vieira;


4..1.1.14. Manoel Tristão Vieira;


4.1.1.15. Luísa de Sousa Vieira;


4.1.1.1.16. Benedito Tristão Vieira e


4.1.1.17. Benedita de Sousa Vieira.



4.1.2. Francisco das Chagas Vieira (Chiquinho), c.c. com Maria Beviláqua. Dos quais naceram os filhos:


4.1.2.1. Benício Beviláqua Vieira, sem descendência (Nome dado em homenagem a seu biasavó materno o Padre Felipe Benício Mariz, vigário de viçosa entre 1817/1840);


4.1.2.2. Durculina Beviláqua Vieira (Dulcinha, nome dado em homenagem à sua avó materna Urçulina ou Durçulina) c.c. com Norberto Conrado Vieira, c/ desc.,


4.1.2.3. Íris Beviláqua Vieira, sem descendência;


4.1.2.4. Humberto Beviláqua Vieira, c.c. com.....c/ desc.;


4.1.2.5 Cecy Beviláqua Vieira, (faleceu em 2008) c.c. com Antonio Ferreira;


4.1.2.6. Luis Beviláqua Vieira, Eclesiástico (faleceu como Pároco de Paracuru/CE);


4.1.2.7. Edmundo Beviláqua Vieira, casado com Osmarina Magalhães Vieira;




Francisco Vieira casou-se em segundas núpcias com Marta, sua sobrinha em primeiro grau, não tendo filho, porém criando como filha sua sobrinha.



4.1.3. Clotilde Vieira (Coló), sem descendência;
4.1.4. Paulo Vieira , c.c. Gilberta Pacheco, dos quais nasceu Paulo Gilberto;


4.1.5. Maria Vieira, c.c. com Joaquim Fontenele Pacheco, com vários filhos: Maria Pacheco Vieira (Bahia); Rosemira Pacheco Vieira, c.c. Vicente Fontenele Figueira, Raimunda Pacheco Vieira, c.c. com José Mamede Fontenele. Beatriz Pacheco Vieira, c.c. Eduardo Alves Portela, Mirian Pacheco Vieira, c.c. Manoel Alves Portela, Raimundo Pacheco Vieira, c.c. Maria Amélia, José Pacheco Vieira, Mariana Pacheco Vieira, c.c. José Magalhães Vieira, Francisco Pacheco Vieira, c.c. Maria de Lourdes Vieira de Miranda, c. desc. (conforme 4.1.6.1.4 ) e Maria do Livramento Pacheco Vieira. Desse grupo famiar surge numeroso clã.
4.1.6 – Francisco Vieira. c.c. , dos quais naceram: João Vieira c.c. Maria Celeste Magalhães, com geração.


O TEXTO COMPLETO FOI RETIRADO EM VIRTUDE DE REVISÕES - POSTERIORMENTE O PUBLICAREMOS NA ÍNTEGRA


WASHINGTON LUIZ PEIXOTO VIEIRA (opinion.blog@hotmail.com)

Texto atualidado às 12h12 do dia 19/04/2011.

Texto atualizado em 18/05/2011;


Texto atualizado em 18/10/2011 às 10:16

Texto atualizado em 14/01/2011 - falecimento de Francisco de Assis Vieira

Referências: Este trabalho utilizou como referência diversos meios: Informações verbais, registros de lápides em túmulos ou cruzes, busca em registros eclesiásticos, nomes que foram encaminhados via internet por diversas pessoas que o leram ao longo dos cinco anos em que foi escrito, buscou a valiosa ajuda da obra Três Séculos de Caminhada de Vicente Miranda, que nos referimos em post anterior, a valiosa contribuição de Maria Carmélia Vieira, conhecedora da família  e outras obras de cunho genealógico. Possivelmente constam muitas omissões, fruto da própria dispersão da famílias. O motivo que nos levou a elaborar este trabalho foi - e é - de de alguma forma juntar as pessoas dispersas neste plano material e no espiritual num único lugar, o que de certa forma é o céu, sejam as nuvens, onde a internet percorre com os anjos e as ondas magnéticas. (Em 26.10.2014)

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

A HISTÓRIA DE MANOEL PEIXOTO E AMÉLIA MONTEIRO - OS ANCESTRAIS DOS PEIXOTO DO ICÓ

A SAGA DOS PEIXOTO DO ICÓ – INÍCIO DE UMA FAMÍLIA
(Ensaio literário-biográfico escrito por Washington Peixoto, sobre Manoel Peixoto de Medeiros e Maria Amélia Monteiro)
Icó ainda despontava no final do século XIX, como uma das economias mais importantes do Ceará. O gado ainda tinha seu preço, e o algodão florescia plumoso, exportado que era para os Estados Unidos e a Europa, e mesmo já para o Recife, que iniciava sua fase de Leão do Norte, com arrojadas iniciativas da indústria têxtil desde que os ingleses por lá se estabeleceram após o Declínio de Delmiro Gouveia.
Todo o sul do Ceará e de Pernambuco mantinham relações de identidade étnica, nas raízes pernambucanas que fazia parte. Icó, por excelência, tinha suas bases genealógicas em Pernambuco; de Goiana e do Recife partiram, no passado, muitas famílias que por ali se estabeleceram. De sangue português, cristãos-novos e índios aculturados eram os fundamentos sanguíneos daquele povo que formava o Icó.
Orgulhosos de si os clãs já bicentenários e capitalisados ex-mascates do Icó, mantinham distância dos forasteiros e afastavam as suas donzelas do olhar do viajante.
(Manoel Peixoto de Medeiros e Amélia (Alencar Monteiro de Albuquerque) Peixoto (foto acervo de família, foto de 1900)
E foi como viajante, talvez para estabelecer-se na Vila do Icó, fugindo das confusões familiares do Exu e para fazer a vida, que por ali chegou Manoel Peixoto de Medeiros, era o ano de 1890. Galante, alto e de bigode, vestido com seu terno branco de linho, tão à moda da época, impressionava as mocinhas, que suspiravam pelo pernambucano!
Os Monteiro, tinham sobrenomes compostos, sílbolo de sua aristocracia. Embora não fosses família setecentistas, já tinham o seu grau de tradição no oitocentos. Adquiriras terras, gado e construíram seus casarios nas ruas nobres da Vila.
Amélia era uma de suas filhas; doce, de pele alva, prendada, fazia bordados, rendas, que fabricava para seu enxoval. No auge de sua formosura dos seus 17 anos era, coo costume da época, noiva, prometida a algum rapaz da burguesia icoense.
Com as irmãs, aos finais das tardes sentava na calçada e espiava cá e lá os transeuntes, que pra lá e pra cá, passavam pela Rua Grande.
Além do Teatro de Pedro Théberge, de recente construção, que ocasionalmente exibia algum drama o domingo dia de missa cantada na Expectação. Raros momentos de lazer e encontro de jovens, ao derredor do coreto da praça, que a sociedade ansiosa aguardava, quando podia-se tirar os vestidos do baú e os paletós domingueiros e ir toda a família, com seus leques e guardas-sóis para a igreja, ouvir a missa em latim, e depois flertar com ares pueris na praça.
E, foi aí que Amélia viu aquele moço moreno claro e esbelto, diferente.... e suspirou...Só o silêncio sabe como se achegaram, mas achegaram-se...e aparixonaram-se.
Manoel, um dia, homem de coragem , de sangue forte pernambucano de Exu, pediu a mão de Amélia ao velho Monteiro, que com um olhar fulminante para o atrevido forasteiro, deu-lhe como resposta um sonoro Não!
A paixão entre os dois, porém, foi mais forte. De forma que um dia Amélia Monteiro e Manoel Peixoto, uniram-se sob as bênçãos da igreja. Era o ano de 1895. Escândalo, desafiara os pais, e mais que isso, deserdada abandonou os sobrenomes Alencar, Albuquerque e Monteiro, pois daí por diante chamar-se-á Amélia da Silva Peixoto. O conflito com os pais fizera-lhe excluir os apelidos da família.
(Parentes de Amélia Monteiro, possivelmente uma de suas irmãs)
Do casal nasceram 11 filhos. 7 homens: Urbano, Damon, Luiz, Raimundo, José, Antônio, Quilon; e 5 mulheres: Florentina, Odécia, Maria de Lourdes, Carlinda e Carlota. Surgia o clã dos “Peixoto do Icó”.
Os meninos e as meninas nasceram e cresceram unidos - que só a morte os separaria - sem a presença de primos, embora os houvessem. Amélia não voltaria a falar com os pais, que não abençoaram o enlace - Conta-se que no leito de morte sua mãe a perdoou e a bençoou novamente... e Manoel jamais voltaria para Exu.

(Antonio Peixoto, em foto de 02 de outubro de 1937, foto acervo de família) Já por volta de 1905 a tuberculose aos poucos minguava a vida de Manoel, que o liquidaria por volta de 1914, em breve Maria Amélia partiria também, deixando a filharada na orfandade, desamparada naquele Brasil ainda sem a previdência social e um ano depois o Nordeste era assolado pela terrível seca de 1915. Os mais velhos, precocemente tornaram-se adultos e assumiram a chefia da família. Urbano, Damon, Luiz, Raimundo, José, Antônio, Quilon, cuidavam do gado p’ra não morrer de fome e sede e do comércio. Florentina das irmãs e da casa, dos bordados e das costuras. Odécia já confeccionava flores, que ornamentava o arco do Senhor do Bonfim!E foi assim que naquele final do século XIX, nascia o meu ramo familiar materno, que hoje em parte, mora no Icó, e dá sua contribuição de vida, parte vive pelo Brasil afora.... Mas com o orgulho de ter em seu sangue o sangue de Amélia Monteiro e Manoel Peixoto, gente forte, guerra e determinada, que cresceu na pobreza,na luta e no trabalho, com os fundamentos do respeito pelo outro, pela ética, pela honestidade e por um espírito de pertença à família, que ainda hoje existe, mesmo com a parentela espalhada Brasil afora, mas quando encontra algum dos seus, sente uma alegria imensa como se encontrasse um novo irmão. Foi o legado daquele casal do novecentos.
(minha homenagem aos meus bisavós, pela linha colateral do avô materno, sou neto de Urbano)

sexta-feira, 16 de maio de 2008

PERSONAGENS HISTÓRICOS: BERNARDO DUARTE BRANDÃO - O BARÃO DO CRATO


Bernardo Duarte Brandão, o Barão do Crato, nasceu em 15 de Julho de 1832 em Icó, Província do Ceará e morreu em Paris em 19 de Junho de 1880. Era filho de Bernardo Duarte Brandão, rico fazendeiro das terras da Ribeira dos Icós. Para alguns geneologistas essa família é de origem pernambucana, tendo como casal patriarca Bernardo Duarte Brandão (Pernambuco-1784) e Dª. Jacinta Augusta de Carvalho Brandão, igualmente natural de Pernambuco, que investiram seus recursos na compra de grandes extensões de terra e na criação do gado pelos sertões nordestinos.

Bacharelou-se em Direito pela tradicional Faculdade de Direito de Olinda em 1854, então centro de idéias liberais no Brasil e de onde surgiram muitas lideranças políticas no Brasil Império e República.

No Icó, Bernardo, do Partido Liberal (¹), contrapunha-se às idéias e ao domínio do Partido Conservador, que dominava a região da Ribeira dos Icós, liderada pelo poderoso Coronel Francisco Fernandes Vieira, posteriormente Barão e Visconde de Icó, conhecidos como “Carcarás”, tendo como aliados o numeroso Clã de Frutuoso Dias, inclusive dominando a Guarda Nacional, cujo comandante nessa época era o Coronel Francisco Manoel Dias.
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A Guarda Nacional era a instituição responsável pela segurança interna do Brasil, criada em 1831 cujos integrantes e particularmente os coronéis ocupavam os principais cargos administrativos, militares e policiais, inclusive a administração dos municípios, o que corresponde aos atuais prefeitos.

Bernardo era membro do grupo liberal, seguidor de Zacarias de Góis e Vasconcelos, líder político brasileiro nascido em Valença na Bahia, que tivera uma atuação de destaque no Império. Bernardo conhecera Zacarias no curso de Direito de Olinda, do qual foi aluno. Voltando para o Ceará foi um dos criadores e divulgadores das idéias políticas do Partido Liberal no Ceará. 


Proprietário de muitas terras e grande patrimônio e muito rico, sua ascensão política deu-se em 1865, quando deputado representando os liberais, representou a Província do Ceará na Assembléia Geral na 12º legislatura de 1864 a 1866 e na 13ª de 1867 a 1870.

Fato marcante na historia política do Brasil e do Ceará ocorreria em 1865, quando Liberais e Progressistas aliaram-se ao grupo histórico, que obedecia à orientação do Senador Pompeu, sogro do então Dr. Antonio Pinto Nogueira Acioli, com esse fato o Dr. Bernardo, já forte líder na região dos Icós, adquiriu incontestável poder na região.
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O título de Barão de Crato, foi-lhe passado por dom Pedro II em 14 de setembro de 1866, quando o Gabinete Liberal de Zacarias de Góis chegou ao ápice do poder imperial. Zacarias de Góis Vasconcelos, que sabia recompensar os seus aliados.

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O título de Barão do Crato, foi escolhido em razão de já existir o Barão de Icó e o Crato, no Cariri, já ser uma das regiões mais promissoras da Província do Ceará e não haver titular com toponímia semelhante. Foi uma jogada política. Assim o Barão Bernardo igualava-se em dignidade nobiliárquica ao seu mais forte opositor o Barão de Icó, Francisco Fernandes Vieira, que detinha esse título desde 14.03.1825, líder dos “Carcarás”, membros do Partido Conservador e posteriormente anti-aciolianos. Com o título de Barão, Bernardo Duarte estava em pé de igualdade ao antigo Barão de Icó e assim o fez, desafiando perseguindo os seus principais aliados, os Dias do Icó, cujo ódio perdurará mesmo após a morte de Bernardo Duarte.
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A aliança política entre Liberais e Históricos, sob a Bandeira do "progresso", bandeira do Marques de Olinda em 1865, tornou Bernardo o mais forte líder político do final dos meados do século XIX na região dos Icós, aliado que era do governo central, tanto da Província como do Império. Ficaram de fora dessa aliança os constitucionalistas, os "Carcarás", de Fernandes Vieira.
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Em 1867, o já então Barão do Crato, para consolidar sua hegemonia política e para expressar de maneira concreta o seu poder a sua grande influência junto ao Império, consegue junto ao Presidente do Conselho de Ministro do Império a transferência "ex-oficio" do Coronel Francisco Manoel Dias, então o Comandante da Guarda Nacional de Icó - pai da lendária Dª. Janoca do Icó - para o comando Superior de Lavras e Telha, onde deveria obrigatoriamente fixar residência, ou seja um "exílio" forçado, longe da influência familiar. Manoel Dias era o simbolo do poder de Fernandes Vieira, o Barão de Icó. Essa transferência foi um golpe fatal no tradicional grupo político dos “Carcarás” e a derrocada definitiva na influência política em Icó, que se transferiram pouco a pouco para Lavras da Mangabeira (onde D. Janoca morreria). 


Esse fato provocou assombro na população do Icó, diante do poder político de Bernardo e ódios desmedidos dos “Carcarás”, que medirão esforços para atingir a honra e integridade moral de Bernardo e de sua família, com intrigas publicadas em jornais e periódicos da época, tais como insinuações sobre a probidade de um sobrinho que o Barão fizera Juiz de Icó, suas irmãs, Maria do Rosário e Margarida. Com Maria do Rosário a famosa história que se espalhou como se verdade fosse, da tentativa de um incestuoso casamento e com Margarida, roubo da "loja de Joaquim Gurgel em uns 900$000 de fazendas" e outras muitas difamações, calúnias e intrigas diversas, publicadas no jornal cearense “Pedro II”, editado em Fortaleza.
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Houve ainda histórias de maus-tratos e terríveis torturas e mortes de escravos, quando já se ventilava em Icó a abolição dos escravos. Intuo que esses fatos, como divulgados, não passaram de intrigas criadas e divulgadas pelos “Carcarás”, no sentido de difamar o Barão de Icó, que nunca se casou, vivendo em companhia de sua irmã Maria do Rosário, também solteira. Esse tipo de atitude constituía uma prática geral das elites políticas.
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O fato do conhecido na difamação do Barão do Icó é que voltando de seus estudos (no Recife), reencontrou sua irmã - antes criança - já uma moça feita e bela. Apaixonaram-se. Pediu à Igreja a liberação canônica para o casamento, inclusive à Santa Sé, o que não foi concedido. Por essa razão os dois viveram em seu celibato, pelo resto de seus dias. Esses fatos não são confirmados pela história, mas revela o grau de veneno na “politicagem” icoense do século XIX, e que parecem perpetuarem-se até os dias atuais.
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Bernardo Duarte Brandão morreu com 58 anos, em Paris, em 19 de Junho de 1880, quando de viajem à Europa em busca de tratamento. Seu corpo foi transportado embalsamado de Paris para Fortaleza onde está sepultado no Cemitério São João Batista. Sua lápide tumular consta panegírico de sua irmã Dª. Maria do Rosário Augusta Brandão, para quem deixou em testamento toda a sua fortuna. O túmulo do Barão do Crato foi um dos primeiros elaborados em mármore, em Foraleza, obra de Frederico Skiner. 




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Solteiro e sem descendência, não deixou herdeiros políticos, deixaria um vazio político, uma vez que os "Carcarás" estavam derrotados e perseguidos pela Oligarquia Acioli.
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O famoso Sobrado do Barão, testemunho desse importante personagem histórico ficou fechado por várias décadas e tinha a fama de mal-assombrado. Dizem que ouviam barulhos esquisitos à noite. Foi comprado em meados do século passado, pelo Telegrafista Ferreira e sua esposa Odécia Peixoto. Possivelmente o sobrado foi abandonado após a morte do Barão ou mesmo antes na época da epidemia do cólera-morbo em 1862, quando toda a aristocracia icoense migrou para cidades mais salubres.
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Bernardo Duarte foi duas vezes Deputado Provincial e Vice-Presidente da Província do Ceará, representou na Assembléia Geral na 12ª legislatura de 1864 a 1866 e na 13ª de 1867 a 1870. Era Oficial da Imperial Ordem da Rosa e agraciado com o título de Barão do Crato pelo Decreto de 14.09.1866.


O “Sobrado do Barão”, construção do início do século XIX, é a lembrança concreta de Bernardo Duarte em Icó, cuja memória é esquecida. Esse imóvel possui vestígios de um calabouço antigo que servia de esconderijo, ou local para esconder tesouros e armas numa época de inseguranças e guerrilhas. 



Como herança política deixou a quebra da hegemonia da oligarquia dos "Carcará" que eram do grupo conservador, abrindo espaços com a sua morte, para os seguidores de Acioli e para grupos emergentes de pequenos-burgueses, antigos mascates, que serão os nomes de destaque no século XX. Mas o Icó entrava em profunda crise econômica e política a partir de então e não teria até os dias atuais o brilho e a importância que tivera nos séculos XVIII e XIX. 


Considerando a cultura de Bernardo Duarte, seu espírito liberal, suas viagens à Cidade Luz, causa estranheza fatos de torturas a escravos a ele são atribuídos.


A tortura aos escravos poderia ter sido obra de capatazes e prepostos que administravam o seu patrimônio durante suas ausências, que possivelmente não foram poucas.(2). Na verdade as longas ausências dos senhores de terras e fazendeiros aos seus domínios eram comuns no Brasil Imperial. Todas as tarefas administrativas eram confiadas a capatazes e feitores. 

Houve a partir do final do século XIX uma mudança no vértice, pois a nobreza rural passou a ocupar a burocracia urbana, tanto no decadente Império e na novíssima República, que o Barão não chegou a vê-la, pois morrera oito anos antes da libertação dos escravos e nove da Proclamação da República e três anos antes de Icó libertar os seus escravos, nem acompanharia a poderio e a derrocada do grupo de Acioli, do qual fizera parte.




(O Sobrado do Barão do Crato, em Icó, Fotografia de João José Rescala, 1941 fotógrafo do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (SPHAN), hoje IPHAN)


Texto e pesquisa de Washington Luiz Peixoto Vieira -

1. Zacarias Góis: Político liberal brasileiro nascido em Valença Bahia, de atuação destacada e agitada durante o governo imperial, chegando a estar à frente do Conselho de Ministros do Império. Formado em direito em Olinda, Pernambuco, onde foi professor universitário (1840-1841), e ingressou na política, em pleno auge do Partido Liberal, ao ser nomeado presidente de Sergipe e logo depois do Piauí (1845). Ainda com os liberais no poder, elegeu-se deputado geral (1850) e, reconduzido à Câmara dos Deputados, pela Bahia, foi nomeado presidente da recém-criada província do Paraná .
Liberalismo: Em Filosofia Política, o que chamamos Liberalismo é a forma ao mesmo tempo racional e intuitiva de organização social em que prevalece a vontade da maioria quanto à coisa pública, e que está livre de qualquer fundamento filosófico ou religioso capaz de limitar ou impedir a liberdade individual e a igualdade de direitos, e no qual o desenvolvimento e o bem estar social dependem da divisão do trabalho, do direito de propriedade, da livre concorrência e do sentimento de fraternidade e responsabilidade filantrópica frente à diversidade de aptidões e de recursos dos indivíduos. Em sua inteira expressão, o pensamento liberal contem um aspecto intuitivo, além do puramente racional, e esquecer essa particularidade – como, me parece, faz grande número de filósofos e cientistas políticos – implica em não compreender inteiramente a essência do Liberalismo.

2. Icó, 11 de abril de 1863.
Barão do Crato sofre um atentado.
No dia 05 de abril estando o Dr. Bernardo Duarte Brandão, 30 anos de idade, em sua fazenda Cachoeira, distante seis léguas da cidade, após ter dado uma sepoada num escravo, este tomou-o a traição, e atirou-lhe 6 facadas, que teriam-no morto, se o assassino, apesar de esforçado, não fosse agarrado por outro escravo que lhe tolheu toda ação do braço. A noite, quando chegou a notícia, a família do Dr. Bernardo, suas irmãs e cunhados, foram falar com o Dr. Theberge, que estava doente, para ele ir acudir a vítima. Pela manhã seguiu Dr. Theberge, o vigário, o juiz de direito, o capitão e muitas pessoas distintas foram visitar o enfermo, que se acha nas melhores condições. As feridas foram pouco profundas. Continua na fazenda com ele o médico Dr. Pedro Theberge. O assassino evadiu-se, não sendo possível apanhá-lo.(pesquisa citada no perfil de Paulo Henrique Amorim)

Referências:
http://www.familiascearenses.com.br/images/FRUTUOSO.pdf

Anotações: 1 O Partido Liberal foi um partido político brasileiro do Período Imperial, surgido por volta de 1837 e extinto com a Proclamação da República, em 1889.
Sua ideologia propunha a defesa dos interesses da
burguesia urbana e comercial da época, o idealismo dos bacharéis e o reformismo progressista das classes sem compromissos diretos com a escravidão e os donos de terras. Pode ser considerado como um partido à esquerda de seu grande rival, o Partido Conservador, que tinha como bandeira a manutenção da dominação política das elites escravocratas rurais. Mesmo assim, jamais assumiu qualquer feição revolucionária ou popular, servindo apenas como instrumento de defesa dos interesses de um grupo social muito restrito daquele tempo.
No entanto, não se pode apontar uma diferença substancial entre liberais e conservadores no
Brasil Império, pois ambos os partidos atuavam incoerentemente e, às vezes, de forma absolutamente contrária à seus próprios princípios políticos, sempre de acordo com os interesses e conveniências mais adequados às situações correntes.


Imagem: Possivel e hipotético retrato de Bernardo Duarte Brandão, todavia não há autenticidade histórica e documental.

Túmulo do Barão: créditos Otávio e Genilto Angelim.


TEXTO E PESQUISA DE WASHINGTON LUIZ PEIXOTO VIEIRA, COM DIREITOS AUTORAIS NA FORMA DA LEI Nº 9.610/98- SE COPIAR CITE A FONTE
Texto revisto em 09.11.2009

Atualizado em 13 de fevereiro de 2018, com a foto de Bernardo Duarte Brandão, o Barão do Crato, Jornal O Cearense - Publicação do dia 08 de maio de 1863. Pesquisa de Yuri Guedes, publicado no perfil do facebook de Paulo Henrique Amorim.