terça-feira, 3 de abril de 2012

MEMÓRIA: A RUA LARGA DO ICÓ (ENSAIO)

A Rua Larga do Icó, para as gerações atuais, nitidamente da última década, tem se transformado ou se transfigurado na “Praça do Forricó”. 

Um sacrilégio a um dos mais antigos logradouros históricos do Ceará. E embora com novas utilidades na cotidianidade perde a sua memória como a estrada geral do Jaguaribe ou a estrada nova das boiadas, como era conhecida no século XVII ao XIX, quando aos poucos vai sendo apropriada pelas habitações e novas utilidades, tais como o mercado público, depois transferido para o local onde encontra no centro comercial e hoje tomada pela grande Igreja de São José e de todas as festividades de grande monta.


Ela também não pode ser designada de "Largo do Théberge ". Ora, quando o famoso médico Pedro Théberge em Icó viveu no século XIX, aquele espaço já existia há duzentos anos, embora Théberge tenha mandado erguer o Teatro e administrado os melhoramentos da Casa de Câmara e Cadeia.



É certo que os tempos são outros e dos velhos tempos do Gado Bovino, quando era por aquele corredor que havia pouso para os vaqueiros, tropeiros e viajantes, com seus comboios. “Das antigas estradas do Ceará colonial, três são de fundamental importância para a compreensão do papel da pecuária na efetiva ocupação do território cearense: a estrada geral do Jaguaribe, a estrada nova das boiadas e a estrada das boiadas. A primeira seguia todo o rio Jaguaribe, do Icó à Aracati. A segunda partia do Rio Grande do Norte, alcançava o rio Jaguaribe e seguia o Anabuiú”. “Chegando em Quixeramobim. Daí partia em duas direções, uma para o lado de Crateús e a outra para o lado Sobral. A terceira alcançava o médio Parnaíba cruzando o sertão cearense. Partia de Icó, passava por Iguatu, Saboeiro, Tauá até o Piauí”. ²



Foi ao longo dessas estradas que de forma geral seguem as margens dos rios (Jaguaribe, Salgado, Acaraú, etc.) foram se estabelecendo as famílias dos colonizadores primitivos do Ceará (à exemplo do Rio São Francisco) e ao longo dos séculos fixaram a sua moradia, vindos de todos os cantos no Nordeste, de Pernambuco ou da Bahia e mesmo de Portugal. Gente que corajosamente embrenhou-se território adentro diante de todas as intempéries das caatingas e de quantas dificuldades advieram. "Aqueles que se aventuraram na empresa do Ceará eram ao mesmo tempo conquistadores, povoadores e colonizadores. Alguns, aventureiros apenas, mas, a maior parte, indivíduos com uma meta, uma vontade de engrandecer a pátria portuguesa e reviver os heroísmos dos primeiros penetradores do solo brasileiro. Carregavam no sangue a herança dos velhos troncos avoengos, a par de uma fé ardente, tanto no fervor da prática religiosa como na crença de que estavam dando um testemunho de tenacidade e firmeza". ³


Nesses territórios desenvolveu-se a cultura do gado e posteriormente a do algodão, que deram bases econômicas ao Ceará, e forneceram à Europa e Estados Unidos da América algumas matérias primas para a sustentação da revolução industrial.

Nesse contexto foi “a cidade do Icó, elevada à condição de vila em 1738, nasceu onde situava-se o arraial da família Monte com uma função eminentemente ligada ao comércio, pois ocupava uma posição estratégica na trama da atividade criatória. Situa-se a meio caminho entre as pastagens do Piauí, no vale do Parnaíba e o porto do Recife, no cruzamento das duas principais estradas das boiadas do Ceará colonial - a estrada geral do Jaguaribe e a estrada das boiadas – o que acentuou a sua importância na rede urbana em formação. Icó segue a lógica das cidades medievais que surgiram com o incremento do comércio e encontravam-se estrategicamente localizadas no cruzamento de dois caminhos. 

A função comercial de Icó, relacionada em sua origem à atividade criatória, persistiu até à sua estagnação econômica no século XIX. Mesmo com o declínio da economia pastoril em decorrência do surgimento das novas pastagens no sudeste brasileiro, em decorrência das secas de 1777-1778, 1790-1793 e posteriormente, no século XIX, com o aumento da produção algodoeira no vale do Jaguaribe; Icó manteve esta importância”. ²

Desta forma entendo que a Rua Larga merece um resgate de sua memória original talvez se criando ali um memorial ao Vaqueiro, ao gado e ao colonizador primitivo e não se eternizando como a "Praça do Forricó".



REFERÊNCIAS:



1. STUDART FILHO, Carlos. Vias de communicação do Ceará colonial IN : Revista do Instituto do Ceará. TOMO
LI / ANNO LI. Ramos & Pouchain. Fortaleza . Ceará. 1937, citado na obra de Jucá Neto
2. JUCÁ NETO, Clovis Ramiro. No Rumo do Boi - As vilas do Ceará colonial ligadas à pecuária.
3. http://www.angelfire.com/linux/genealogiacearense/index_povoadores.html


Imagem: Montagem de Washington Luiz Peixoto Vieria

quarta-feira, 14 de março de 2012

REMINISCÊNCIAS: VELHAS PROCISSÕES

Hoje vendo esse grafite de Domingos Linheiro, postado no blog Urban Sketchers Brasil¹, bateu saudade da Viçosa do Ceará. Não da cidade de hoje, onde tudo é comércio e ganância, onde os imóveis são "patrimônio histórico" - deixaram de ser "casa" - e as matas foram transformadas em "lotes" com a derrubada das arvores seculares.

Senti saudades da Viçosa de minha infância. Romantismo? Saudosismo? Que seja. Mas bateu saudade daquela “cidade com cara de vila”² onde o rural invadia o urbano, onde não se podia ser outra coisa senão católico romano: A cidade era hegemonicamente católica. Passou-me pela mente uma multidão de pessoas tão queridas que já habitam em outro plano de existência.


Lembrei-me, particularmente, das procissões. Elas, talvez, eram os eventos mais importantes que a cidade contemplava e para onde convergiam todas as energias e atenções de um tempo que não mais existe: Pessoas e Valores.

Era pelo Beco dos Pinhos que a procissão saia. As balaustradas das janelas, todas abertas no casarão vazio, ainda eram enfeitadas ao gosto de Dona Hilda: Colchas de tecidos valiosos ou bordados, vasos de metal prateados, flores, folhas de samambáia, palmeirinhas... Tudo lembrava o Brasil Imperial, daquelas fotos de Alberto Henschel.

Os sinos repicavam anunciando o início da procissão. Os irmãos do Santíssimo enfileirados vestidos com suas opas vermelhas sobre o paletó azul marinho. Meu avô levava orgulhosamente uma das lanternas processionais.

Vários estandartes: do Apostolado da Oração, da Pia União das Filhas de Maria, dos Marianos, da Ordem Terceira de São Francisco. Outrora houvera da Confraria dos Terceiros de Nossa Senhora do Carmo, de São Sebastião e Cruzada Eurarística de São Tarcísio, não as mais conheci.

O padre Martins, com sua “paciência” e seu megafone (com microfonia) pedia a todos que formassem alas: Quase ninguém ouvia aos apelos do sacerdote, bom era ir atrás do andor, ouvindo as marchas tocadas pela velha banda marcial, que já se apelidara de "furiosa”.

E assim seguia o cortejo, Rua de París abaixo. Quase na Praça do Cupido a casa do ex-prefeito Chico Alfredo (onde depois passou ali a morar o memorialista Dr. Edgard Fontenele), o sobrado de seu Chiquinho Vieira e dona Maria Beviláqua. (Quem não lembra da catequista dona Coló Vieira?) Logo adiante as casas do seu Expedito e dona Loura, Dr. Benjamim e dona Creuza (que habitavam o antigo casarão do velho Tristão Vieira e dona Mundoca). Parava um pouco diante da casa de seu Gerardo Pindaíra, e por ali estavam dona Bahia, dona Santa Viera e Ana Maria. Entrava pela Padre Beviláqua (nas procissões dos Passos e Corpus Chisti havia "estações" e altares armados), e logo se via dona Frasquinha Braga e suas filhas e logo adiante dona Mundinha Beviláqua, dona Maria dos Anjos, seu Zezé Fontenele, dona Cocota, dona Eulina e minha avó Luíza com o terço nas mãos, que esperavam ansiosas nas portas de casa o cortejo passar. Do lado dos Correios o jovem casal Socorro e seu Raimundo Monteiro. Já nos últimos tempos passou a morar naquela rua o Professor Regino Carneiro, que foi o Vigário da Paróquia por décadas e dona Gladys, então sua esposa.

Chegava enfim à Praça General Tibúrcio. Uma parada providencial em frente a casa de seu Felizardo Pacheco e dona Elvira (era aí que na Procissão dos Passos, Jesus encontrava-se com Nossa Senhora das Dores e havia o grande sermão). Mais adiante seu Raimundo Silveira e família, dobrava o “quadro da praça”. Logo à esquina seu José Maria e dona Ioneida (depois passando a morar dona Maria Celeste), dona Lídia e seus irmãos Jonas e Isaías. Não podia deixar de passar na frente da casa dos “Coelhos”onde moravam dªs Silvinha e Mariazinha, de seu Zé Mamade e dona Raimunda e dos “Castro” com dona Mundinha já idosa, nem na casa de seu Chico Dô e dona Francisca, dona Júlia e Maria Aires, do seu Sebastião Nogueira e dona Júlia, do seu Loiola e dona Maria Magalhães, dona Rosa Victor (depois passando a morar nesta casa seu Juarez e dona Maria Alice), dona Gilberta e Ida Pacheco, famosa cantora da Igreja e dedicada paroquiana, Francisco Pacheco e Lourdes. E mesmo não ficando no riscado do itinerário dona Maria dos Prazeres não deixava de enfeitar as suas janelas.

Eram as ruas de procissão.

Subia a Lamartine Nogueira: Sobrado do seu João Mapurunga, a casa do seu Chico Leocádio e dona Virgília, de portas cerradas, mas como lembrança de que ali habitara uma família, as casas de seu Eduardo Mapurunga e dona Maria Carneiro, seu Jonas e dona Mundinha Pacheco e sua filha Olga, seu Zé Figueira e dona Belinha, dona Valda e seus filhos, dona Ritinha e seu Raimundo Gondim (do hotel Sayonara, certamente uma recordação dos Japoneses que estiveram na mina da Pedra Verde), dona Mementa (a conhecida "Parenta" de todos nós). E, na calçada de seu Dedé e dona Izaura muita gente à espera (Maricôca, Domitila, Mário e France). E, logo em frente seu Gerardo Magalhães e dona Magnólia. Andando mais um pouco via-se as casas de dona Clécia, de dona Maria Dantas, dona Constância, seu Antonio Belchior e dona Mariínha, seu Juca e dona Nilza, seu Sebastião Dantas e dona Terezinha, o Sindicato dos Trabalhadores Rurais (que um dia fora a sede do Patronato), de seu José Jonas e dona Frasquinha, dona Neném Batista, dona Maria Ribeiro, Vitória Pinho, filha de Maria que arrumava os altares da Matriz no dia-a-dia, colocando flores no Santíssimo (era a sua vocação).

E, no momento de grande espera, chegava-se à casa das “Batistas”, onde estavam as amáveis Clódis e Alice, sempre com velhas novidades em sua decoração católica e barroca - era ali que os andores eram preparados (pena que a casa foi demolida!). Na Procissão de Corpus Chisti armavam um belo altar-oratório; dona Luzia Pacheco, seu Zé Miranda e dona Florinda (com certeza a habitação de arquitetura original mais Brasil-Colônia da cidade) e suas filhas: Júlia que preparara os anjos, Maria e Francisca. Mais uma caminhada chegava-se, afinal, na Praça da Matriz.

Já no "quadro da Matriz", com todas as suas casas festivamente de portas e janelas abertas, algumas com ricas colchas ou toalhas nos parapeitos das janelas, via-se (e alguns se vê): Dona Miriã e seu Miguel, dona Mair e Chiquinho Mapurunga, dona Chichica, dona Maria Luiza Fontenele e seu Antonino; Casas do seu Sousa e dona Raimundinha, dona Emília, já viúva, seu Ozéas e dona Vânia, o Coronel Chico Caldas e dona Eglantine, seu Silvino Holanda e dona Maria Xavier, seu Onezindo Pacheco e dona Regina, dona Margarida e suas irmãs Mundinha e Maria Rocha, seu Oliveira e dona Rosilda, dona Maricota e seu Pindaíra (lembro-me ainda de dona Mariínha), dona Anita Braga e seu Jorge, dona Nini Gouvêia e seu Assis Pindaíra, casa dos “Benícios”e o nosso querido Dr. Ednird e Hozana, Dr. Edvard e dona Marieta, Nonón e Carmelita Bizerril, o sobrado da dona Marcela Fontenelle e Mundinha Paulino (sua gatinha "Treslinda" escondera-se com medo dos fogos) e novamente a Casa dos Pinhos, (que na verdade é um conjunto de habitações interligadas dos herdeiros do coronel Felizardo de Pinho Pessoa) tão vasta como um palácio: Hoje a chamam de "Solar".

E enfim a apoteose, com toda a multidão reuinida diante do patamar sobre o alarido dos sinos e dos foguetes e o cheiro de incenso. Toda a comunidade, urbana e rural, em êxtase diante do divino que parecia por ali pairar. Até os mosquitos, como que por milagre, voavam sobre a cabeça da Vigem da Assunção, fazendo-lhe a coroa, naquelas ave-marias.

Era a Viçosa Católica, tinha um quê de Pio XII, ou de uma Roma sob os trópicos. Eram as procissões de minha amada Viçosa, que o vento levou...


1. Imagem postada o blog: http://brasil.urbansketchers.org/2012/02/vicosa-do-ceara.html
obs- O texto não pretende elencar todas as pessoas e casas, foi feito de memória, porém tentar resgatar um determinado período histórico (década de 60/70) em que o autor por ali viveu e as pessoas do "polígno" das procissões presentes em sua lembrança ou pelo menos a memória de outras que não conheceu mas que ouvira falar, mesmo com suas casas com outros propritários.




2. Expressão de Valdemir Pacheco em seu livro "Tragédia da Tabatinga".

Procissão do Menino-Deus em 1º de janeiro 2011

Texto com algumas inclusões de pessas em 24/3/2012, às 6h30m


quinta-feira, 29 de abril de 2010

SÉRIE TRIBUTO - IRMÃ LÚCIA VIEIRA, FILHA DA CARIDADE, MISSIONÁRIA DO CAICÓ E DOS SERTÕES DO SERIDÓ.


Irmã Lúcia Vieira, chegou a Caicó em 1953, em conjunto com outras três irmãs de Caridade. Tinham como missão dar vida ao Abrigo e Dispensário Professor Pedro Gurgel, fundado a 16 de agosto de 1946 por Mons. Walfredo Gurgel, com a cooperação da Diocese, mas que até aquele momento ainda não entrara em atividade.
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O grupo inicial de religiosas eram: Irmã Severina Borba, primeira superiora(1951), Irmã Maria Dutra e Irrmã Lucia (1953), Vieram em 1954 e 1956, para complementar as pioneiras, a Irmã Vicência Nogueira (1954) e a Irmã Rosalie Santos (1956). Todas, com exceção da Irmã Lúcia, já encontam-se na casa do Pai.

A idéia da construção do Abrigo veio da Diocese de Caicó “preocupada com o grande número de idosos e de mendigos abandonados, resolveu pedir as Filhas da Caridade de São Vicente de Paulo, para se responsabilizarem por essa obra caritativa conforme o seu carisma, com a finalidade de levar a todos um conhecimento e crescimento cristãos”.
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Naquela época o bairro da Paraíba, onde fica o abrigo, era um ermo distante e árido co centro comercial da cidade. E ali o abrigo ficara esquecido, com seus idosos e suas irmãs, com falta de recursos humanos e materiais, o que a levou em ato inédito, á Rural de Caicó, onde expuseram a dramática situação em que viviam os idosos. No dia seguinte, naqueles idos anos 50, choveram donativos ao abrigo e nunca mais o povo de Caicó os esqueceu: Era a Providência Divina?
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Foi naquele bairro e naquele abrigo que Irmã Lúcia desenvolveu e desenvolve por quase 60 anos o seu apostolado e sua missão de Filha da Caridade junto aos pobres, particularmente aos mais pobres.
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Tanto o é que há uma opinião formada que "Como um sentimento de verdade, há uma crença no Bairro Paraíba, de Caicó, de que Irmã Lúcia nunca morrerá. Ela apenas se encantará, um dia, sob o manto de nossa Senhora das Graças e de lá continuará a olhar e encaminhar para todo o bem, os filhos e filhas deste bairro e cidade. Caicó deve muito a esta senhora, pois como educadora já formou dignamente para servir a nossa sociedade, vários cidadãos de bem, que como pais, mães e em várias profissões, das mais simples as mais complexas, em toda parte do mundo, trazem na lembrança e na condução de suas vidas, os seus ensinamentos. O maior adjetivo que define esta mãe, é a de que ela é uma autêntica reprodutora do amor de Deus. Que nós possamos tê-la por muitos anos, pois seus ensinamentos, exemplos de humildade, perseverança e fé, a nós serve de lição e conforto para que compreendamos que é possível sim, olhar sempre e estender a mão a aqueles que de nós precisam de pelo ao menos, um sorriso". http://www.robsonpiresxerife.com/blog/notas/abrigo-60-anos-de-fundacao-uma-homenagem-a-irma-lucia/
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Como presença pastoral das irmãs, distingue-se a difusão das Medalha Milagrosa e sua festa a cada 27 de novembro de cada ano, na capela do abrigo, tornou-se paulatinamente um evento religioso devocional.
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Ali de tudo irmã Lúcia tem sido: Assistente social, enfermeira , confidente, professora, diretora da instituição e de escola, cuidadora de idosos, ecônoma, relações públicas, ministra da eucaristia, sacristã... Dorme pouco – aliás, dorme em pé – acorda a qualquer hora da noite para acudir os velhinhos a quem procura, reza com suas co-irmãs a liturgia das horas e obrigatórias da comunidade nas horas canônicas e com sua irmã Honorina todos os dias, após o almoço, um terço, como aprendera há muitos anos com seu pai, que era devotíssimo de Nossa Senhora. Visita os doentes, encomenda os mortos, distribuí donativos aos necessitados, e como não bastasse dá plantão na portaria do abrigo aos sábados à tarde. Não pára! Com seus 84 anos, ativa e lúcida é uma perfeita Filha da Caridade, em sua maior expressão. Uma digna filha de São Vicente e Santa Luísa.
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De pequena estatura, Irmã Lúcia, que na vida civil é Maria Amélia Vieira, e na intimidade da família é Amelinha, nascida na Rua da Cruz, em Viçosa do Ceará, em 14 de março de 1926 é a segunda filha de Francisco (1898 - 1975) e Luíza Vieira (1905 1978). No ano de 1939 toda a família mudou-se para a casa da rua Padre Beviláqua, onde vivem até os dias duas de suas irmãs, Neném e Carmélia, e é o referencial da família, onde estão guardadas as suas lembranças e seus sonhos.

Professora primária, catequista e integrante da Pia União das Filhas de Maria, em Viçosa, onde tudo corria em torno da Igreja Católica, logo surgiu sua vocação religiosa, ingressando aos 19 anos na Companhia das Filhas da Caridade de São Vicente de Paulo, sendo seu postulantado e noviciado realizado na Cidade de São Benedito, Ceará. Terminado este período foi enviada pela Província de Fortaleza das Filhas da Caridade, para Caicó, no Rio Grande do Norte, de clima, quente e seco, bem diferente da serra da Ibiapaba, de clima frio e úmido, onde nascera e crescera. Mas “o amor de Deus e sua providência” a ajudaram a ambientar-se tão bem aquela terra que se tornou símbolo, procurada pelo povo simples e pelos detentores do poder.

Um tempo destes, lá em Viçosa, percebemos que não tinha mais a plena visão em um de seus olhos, e uma de suas irmãs lhe perguntou:

- "Amelinha, você não nos contou de seu problema nos olhos.... "

Ao que ela respondeu, de imediato:

- "De que me valeria o voto de pobreza, se eu me lamentasse das minhas pobrezas e minhas limitações. Aceito-os como graça de Deus!"
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Imagem 1- Montagem
Imagem 2- Irmã Lúcia, seus pais , sua irmã e seu sobrinho, que edita este Blog.