segunda-feira, 28 de maio de 2012

TIA NENÉM (1924-2012)

Neném Vieira, ou melhor Francisca Amélia Vieira, é a filha mais velha de Francisco (1898 - 1975) e Luíza Vieira (1905 1978) . Nascida na Rua da Cruz, em Viçosa do Ceará, em 1924. No ano de 1939 toda a família mudou-se para a casa da rua Padre Beviláqua, onde vive até os dias atuais.

Foi ali, na rua da Cruz, que Neném e suas irmãs mais novas, Amelinha, Nitinha e Dolena, brincavam na infância. Na época a cidade ainda voltava-se para aquelas bandas, perto das "Bananeiras", estrada de Granja, onde havia o antigo cemitério em ruínas. Era ali que as irmãs e suas companheiras brincavam, subiam nas fruteiras, percorriam os sítios, tomavam banho na Remelosa, brincavam de roda, mexiam nos ninhos dos passarinhos, recolhiam os ovos da galinhas, aprendiam o catecismo, e escutavam estórias de Trancoso, contadas pelo pai, na hora de dormir. Eram uma família feliz.

Por volta de 1932 ou 1934, diferentemente do que se entendia sobre educação de meninas, seu pai, que era integralista, matriculou as meninas mais velhas na "Escolas Reunidas de Viçosa do Ceará", instituição escolar fundada por iniciativa do Governador Justiniano de Serpa, em ato governamental de 16 de dezembro de 1922, e que funcionava no prédio, que havia sido o Hospício da Ibiapaba, pertencente à Companhia de Jesus, no século XVIII, junto à casa paroquial. Teve como professores Raimunda Viana Bezerril (Dona Carucha), Maria Estelita Chaves Matos, Maria Neuza Queiroz, Marizita Bezerra, Silvia Coelho de Albuquerque e Salustio de Pinho Pessoa.  Este prédio, infelizmente foi paulatinamente trasnformando-se em ruínas, sendo na década de 1970, edificado sob os seus alicerses o "Salão Paroquial", com recursos do Adiviat.

As Escolas Reunidas era um projeto do movimento Escola Nova, que defendia a universalização da escola pública, laica e gratuita, lideradas pelo Educador Lourenço Filho, implementadas no Ceará a partir de 1923, em consonância com outros educadores em nível nacional, tais Anísio Teixeira, na Bahia, em 1925, Francisco Campos e Mario Casassanta, em Minas Gerais, 1927, Carneiro Leão, em Pernambuco, em 1928.

Nas Escolas Reunidas de Viçosa do Ceará, aprendeu as primeiras letras e o que hoje se pode considerar as primeiras séries do ensino fundamental. Posteriormente seus estudos foram complementados no Externato Clóvis Beviláqua, que funcionava no prédio do Catete,(4) instituição privada idealizada e dirigida pelo Drs. Armando Lousada, então juiz de Direito da Comarca, João Magalhães e Salustio de Pinho Pessoa, cujos colegas de turma foram Maria Rocha, Wanda e Domitila de Castro, Edson Urano de Carvalho, dentro outros.¹

Era o máximo que a educação em Viçosa conseguira avançar, mas o suficiente para a formação de professoras leigas, de forma que em 1948, ela passaria a ensinar, juntamente com Amelinha, na Escola particular pertencente ao Dr. Salustio de Pinho Pessoa e posteriormente na Escola Rural.

A "Escola Rural" foi um projeto piloto de erradicação do analfabetismo, "subscrita pelos deputados João Cleofas (UDN-PE), Alde Sampaio (UDN-PE), Gilberto Freyre (UDN-PE), João Ursulo Ribeiro Coutinho (UDN-PB), Dolor de Andrade (UDN-MT) e Lima Cavalcanti (UDN-PE), em 8 de junho de 1946, a Emenda n º. 559 propunha que a União mantivesse as “escolas modelo, de tipo rural” com o objetivo de erradicar o analfabetismo e difundir o ensino técnico-profissional no “interior”, ³ em contraponto às ideias do Movimento de Educação de Base (MEB), e fundamentados na ideia de uma espécie de "Escola Nova Católica".

Esse projeto estava fundamentado na Carta Constitucional de 1946, promulgada em 18 de setembro de 1946 (Estado Novo), atribuindo à União a tarefa de fixar diretrizes e bases da educação nacional, mas ao mesmo tempo transformara , neste período pós-guerra,(6) a educação em um aparelho a serviço dos interesses e necessidades do Estado e do “culto à personalidade” de Vargas. A visão de uma educação disciplinadora e construtora de uma sociedade corporativista, pensada pelos setores conservadores desde a década de 20, assumira forma concreta no período 1937-45.²

No Estado do Ceará, este projeto passou a ser de responsabilidade dos municípios, cujos primeiros prefeitos eleitos pelo voto direto ocorreram em 1947, sendo eleito prefeito de Viçosa do Ceará em 1947, José Crispiniano Figueira (UDN – União Democrática Nacional), tendo a frente do projeto de educação dona Zilda Rosa Barros. Este projeto viria a ser encerrado por volta de 1950, quando assumiu a gestão municipal o grupo do PSD (PSD – Partido Social Democrata). Eram os tempos da políticas que mudavam da água para o vinho, conforme o sabor das eleições.

Assim, dona Neném foi nomeada para uma cadeira da "Escola Rural", porém nunca recebeu um centavo pelos serviços prestados ao Estado através de seu “projeto”. Sem receber o dinheiro suado com seu trabalho de mestra, por mais ou menos dois anos, passou com a o apoio de meu avô a dar aulas em casa, como professora particular, ora de reforço escolar, ora de alfabetização, ler, escrever, tabuada e noções de aritmética (como se dizia naqueles tempos).

Nesta nova empreitada, decepcionada com as "coisas de políticos", toda a casa era utilizada como escola. Como sala de aula, a sala de jantar e como banca de estudos a mesa de cedro de mais ou menos dois metros e meio de comprimento, que era a mesa de almoço. Essa mesa fora vendida em 1939 por dona Nenzinha Beviláqua (Martiniana), em conjunto com a casa, e que a tradição da família conta que a era onde o padre José Beviláqua utilizava para tudo, inclusive para realizar partos e cirurgias. A mesa ainda hoje está em nossa casa, uma relíquia de família, cheia de lembranças e muitas histórias...

Integrante da Pia União das Filhas de Maria, a mais importante associação católica de moças de meados do século passado, que agregava dezenas de jovens da paróquia de Viçosa, surgiu-lhe a vocação religiosa, cujo projeto seria o ingresso na Congregação das Irmãs Josefinas, que aquela época conquistara muitas moças, porém Amelinha, já se tornara Irmã Lúcia e Maria Helena (Dolena) Irmã Catatina, ambas filhas da Caridade de São Vicente de Paulo, cautelosa, sendo a mais velha das irmãs, abdicou do projeto pessoal, dedicando-se à família. Com o pouco dinheiro que ganhava nas aulas particulares, ajudava no que podia nas despesas domésticas.

E daí por diante, até a década de 1970, seria uma das professoras particulares mais requisitadas da cidade, e por ela passaram várias gerações a alunos e alunas, de vários níveis sociais. Era na mesa da sala de jantar e espalhada pela casa toda que os alunos se assentavam.

Utilizando “modelos pedagógicos” hoje em desuso, muitos meninos levaram bons puxavancos de orelha e aprenderam a ler, escrever e a contar. Pouco, mas coisas essenciais para a vida simples da Viçosa daquelas anos.

Nos anos de 1970 ela ainda aventurou-se na formação de turmas do Movimento Brasileiro de Alfabetização (MOBRAL), mas dona Neném já estava “cansada de guerra”, os tempos eram outros, as ideologias educacionais também e seus conhecimentos, outrora tão úteis, já não correspondiam ao que a legislação exigia! Era a vez das professoras formadas em Escolas Normais e ainda de algumas que tinham conseguido “cadeiras” do Estado.

Hoje Dona Neném, uma heroína da educação, já com os esquecimentos dos seus 88 anos, doentinha, lembra de pouca coisa, mas bem mais esquecida está a nossa Viçosa, que nunca prestou-lhe uma homenagem sequer, nem um preito de gratidão a essa antiga educadora, hoje, talvez a única remanescente daquela geração de pioneiros na educação viçosense.

CONCLUSÃO:

Dona Nenem faleceu piedosamente às 20h15 do dia 3 de Junho de 2012 (domingo), tendo recebido o Sacramento da Unção dos Infermos e  a Eucaristia, os últimos sacramentos cristãos.

Foi internada no Hospital Municipal de Viçosa no dia 21/05, como todos os homens e mulheres deste país, internada que foi na rede SUS (aquela mesma rede de saúde pública que foi motivo da Campanha da Fraternidade da CNBB....) como seu último Calvário.

Durante seus últimos momentos esteve assistida por suas irmãs Carmélia e Irmã Lúcia (Amelinha), pela atenciosa jovem Priscila, familiares e  amigos,  foi velada em sua casa e sepultada no Cemitério São João Batista de Viçosa do Ceará.

Uma vida santa, sem mácula. Solteira e Virgem. Com toda a certeza posso afirmar, como testemunha de sua vida,  que ela encontra-se na Morada dos Justos, onde contempla a Sagrada Face de Deus!


REFERÊNCIA:

1. Informações da biografada, naquilo que ela conseguiu se lembrar. Aos passos que a mesma for lembrando-se reeditaremos o texto.
2. Os liberais e a educação: a UDN e a vinculação de recursos para a educação na Constituinte de 1946. Wellington Ferreira de Jesus – UFG
3. Idem Ferreira de Jesus.
4. O Prédio do Catete, localiza-se na atual Rua Professor João Viana, nº 520 , onde hoje funciona o Cartório do Segundo Ofício.



GENELALOGIA DE DONA NENÉM VIEIRA:
http://iconacional.blogspot.com/2009/03/blog-post_18.html

http://iconacional.blogspot.com/2009/05/familias-vicosenses-marques-viana.html
Foto modificada em 28/04/2010

Texto atualidado em 07/05/2010, com a inclusão de professores anteriormente não informados, após informações complementares de dona Nonón Bizerril, de Viçosa do Ceará

Texto atualidado em 07/06/2012, em razão de sua morte.




quarta-feira, 23 de maio de 2012

APIPUCOS, CONVERSAS DE SACRISTIA

Que dizer de Apipucos, o velho e histórico subúrbio recifense de 1645, Meca da intelectualidade nos anos de 40 a 80 e uma referência de glamour e desejo de consumo no imaginário habitacional pequeno-burguês? O pequeno enclave de poucos ricos rodeados de pobres que consegue sobreviver com seu açude poluído, cheio de baronesas, e sua vegetação verde às margens do Capibaribe.

Embora a especulação imobiliária tente avançar na construção de condomínios de luxo destinados à chamada classe “a”, os limites impostos pela lei municipal impedem a construção das grandes ‘torres’ tão em moda na moradia da burguesia urbana e assim os tentáculos predatórios da indústria da construção ficam limitados.
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Do bucólico bairro de Santo Antonio de Apipucos restaram casarios reformados e algumas estórias e histórias. Gente, sabemos, passa como vento. Vem e vão com suas vidas, encrencas, orgulhos e emoções. As coisas ficam, quase como deuses, para outras gentes mais novas tão efêmeras e passageiras quanto as que se foram.

Um artigo publicado pelo Diário de Pernambuco em junho de 1970, narra-nos uma pitoresca arenga bairrista (e política) entre os seus mais ilustres moradores: O doutor Gilberto Freyre e os Padres Lazaristas.

Dr. Gilberto era naqueles anos o intelectual vivo mais festejado de Pernambuco, desde a edição primeira edição de Casa Grande e Senzala em 1933. As visitas de figurões internacionais famosos à sua casa a degustar o licor de pitanga, tais Lucien Febvre, Aldous Huxley, John do Dos Passos, George Gurvitch, Arnold Toynbee e Roberto Rosseline, que tinha intenção de filmar “Casa Grande”, Robert Kennedy e um séqüito de mais de trinta pessoas, Albert Camus e tantos mais, isso sem contar escritores, artistas, jornalistas, enfim toda uma constelação de gente famosa, de fora e dentro do país, de forma que José Lins do Rego comentava que “Apipucos é o Vaticano do Recife”

Os padres da Congregação da Missão, chamados de “Lazaristas” aportaram no Recife por volta de 1950. Sendo Recife o único aeroporto internacional do norte e nordeste, estabeleceram-se em Apipucos, em casa doada por senhoras anglo-brasileiras, mas que mantinham o charme de serem chamadas de 'as inglesas' Como condição da posse da mansão deviam cuidar dos serviços pastorais da Capela de Nossa Senhora das Dores, e que fora elevada à Paróquia por ato do arcebispo Helder Câmara, naqueles dias.

Os padres (ou parte deles) muito avançados, ao modelo da Igreja Católica dos Países Baixos (que dera muita dor de cabeça aos Papas de então) e que aderiram de forma radical ao Concílio do Vaticano II (que coincide exatamente com o golpe militar de 1964) e às causas operárias e a reforma litúrgica, que retiravam imagens dos santos das igrejas ou as recobriam com cortinados, ao modelo protestante, dando de ombros à conservadora sociedade pernambucana de então. O ‘escândalo’ maior era que os padres – diziam - deixavam a religião de lado e inseriam-se de forma ativa na organização social, inclusive com a construção de obras negligenciadas pelo poder público (numa antecipação à opção preferencial pelos pobres e à teologia da libertação). Além disso, acudiram a muitos ‘subversivos’, perseguidos pelo regime que se escondiam nos porões da rua da Aliança, e de lá fugiam pela ‘maré’ do Capibaribe, logo ali no quintal da casa, cheio de mangueiras e flores tropicais, ou escondidos no Colégio São Miguel, no Alto do Mandu, que era casa das Irmãs de Caridade. E desta forma atraiam para lá a esquerda católica, tão bem acolhida na arquidiocese de dom Helder, ofuscando de certa forma a hegemonia do grande sociólogo em seu ‘Vaticano’.

Daí surgiram desentendimentos entre os ilustres moradores e seguidores de ambos os lados de forma que a querela foi parar em artigo do Diário de Pernambuco intitulado “Que é que há contra Apipucos?” Queixava-se que a ‘Suíça do Recife’ estava às moscas, era um subúrbio entregue a ladrões e talvez internacionais sem que o governo do Estado ou Federal, pelas autoridades competentes, demonstre o menor interesse em conter essa súbita transformação do mais tranqüilo recanto o Recife em região infernal. Havia até uma boate a ‘boate dos tiroteios’.

As obras sociais dos padres hoje são pouco lembradas pelos moradores, ficaram embaixo do chão, bem como a figura do padre Aluízio (cujo sobrenome holandês ninguém lembra), que liderava e financiava obras de saneamento básico com a construção de esgotos, água encanada e sanitários e instalara luz e água na casa do povo da rua de Caetés, tudo em forma de mutirão e organizava conselhos de moradores.

A obra do Dr. Gilberto continua de pé, bem como suas fundações, transformadas em órgãos governamentais. Em sua homenagem construíram nos últimos anos uma democrática estátua no largo da praça. Os padres foram embora. Dizem que padre Aluízio, após ‘deixar a batina’ tornou-se sindicalista em seu país e os últimos remanescentes, tais como o velho e bom padre Pedro Haasvoet e padre André Rumbolt, ficaram em Apipucos até 1995 e não há nenhum monumento e suas homenagens.


REFERÊNCIAS:

CIRANO, Marcos. Os caminhos de Dom Helder. Editora Guararapes, Recife, 1983. p. 133. – O que há com Apipucos?


CAMPOS, Antonio. Pernambuco, terra da Poesia: um painel da poesia pernambucana dos sécu- los XVI ao XXI./ organizadores: Antônio Campos, Cláudia Cordeiro,in http://books.google.com.br/books?id=LMjXmhbtDBMC&pg=PA143&dq=apipucos&hl=pt-BR&sa=X&ei=uq28T5KtPK3H6AHYu_0h&ved=0CFsQ6AEwBw#v=onepage&q=apipucos&f=false

SILVEIRA, Joel. A milésima segunda noite da Avenida Paulista; posfácio Fernando Morais. -São Paulo: Companhia das Letras, 2003. 

segunda-feira, 14 de maio de 2012

TUDO É ILUSÃO


Adi Shankara, filósofo indiano nascido no século IX, com sua iluminação trouxe ao conhecimento da humanidade a concepção de Maya¹, a ilusão que está presente em todos nós e em nossas existências e nos faz enganar sobre nossa materialidade e nossa fugacidade.

Uma alegoria oriental conta-nos que havia uma bela jovem em uma aldeia da Índia que havia sido dada em noivado. Seu noivo dizia amar-lhe, pois um dia havia visto sua beleza e apaixonara-se (Maya) e a partir desse momento fez tudo o que foi possível para casar-se com ela, chegando a dar dinheiro para sua família em troca da permissão desse casamento. Ela, porém, não queria casar-se pois havia feito votos nesse sentido, ao mesmo tempo não podia dizer não, afrontaria os costumes de sua casta, além dos compromissos financeiros assumidos. Pensou e tomou uma decisão. Ás vésperas do casamento passou a tomar vários purgantes, deixou de beber água e contraiu uma séria desidratação e intermitentes diarréias. Todos os excrementos ela recolhia em vasos e os guardava. Passada uma semana, as vésperas do casamento, o noivo a procurou levando vários presentes valiosos. Chegando à sua casa foi recebido à porta por uma mulher magra, somente com a pele recobrindo os ossos. Indagou: Onde está minha noiva? (pois não a reconhecera). Ela respondeu-se: Aqui estou? Assustado diante do que via indagou: Onde está a tua beleza? Ela então mandou a sua serva trazer-lhe vasos e mais vasos cheios dos excrementos fecais. Eis a minha beleza!

É muito difícil, feitos de matéria e ilusão como somos, conseguirmos entender de fato o quanto tudo é ilusão e passageiro. Beleza, juventude, poder, riqueza, conhecimentos, títulos... tudo é pura vaidade e passa da mesma forma que um bom perfume, que logo esvai seu agradável odor!

Quanto menos evoluído um ser, menor a sua capacidade de percepção desta transitoriedade material e de que tudo está envolto nesta ilusão, aliás, todo o universo, porém o conto que acabamos de citar nos faz entender onde está a beleza exterior de todas as coisas, de como nos encantamos de forma enganosa por puras vaidades transitórias e efêmeras e esquecemos do nosso interior, de nossa alma, na concepção greco-cristã e negligenciamos desse crescimento espiritual, tornando-nos simplesmente fezes e excrementos descartáveis.



Escrito por Washington Luiz Peixoto Vieira, em 14/05/2012.



NOTAS/REFERÊNCIAS:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Maya_(filosofia)

ImaGEM: http://dionisioneto.blog.uol.com.br/arch2005-12-04_2005-12-10.html

1: Maya (do sânscrito माया, māyā) é um termo filosófico que tem vários significados, mas em geral se refere ao conceito da ilusão que constituiria a verdadeira natureza do universo objetivo. Maya deriva da contração de ma, que significa "medir, marcar, formar, construir", denotando o poder do deus ou demônio de criar ilusão, e ya, que significa "aquilo (http://pt.wikipedia.org/wiki/Maya)


sábado, 12 de maio de 2012

APARIÇÕES DE FÁTIMA

Cercadas de grande mistério em uma Europa amedrontada em 1917 por sucessivas crises, novos movimentos que abalavam as estruturas do velho mundo e à porta da primeira grande guerra, as aparições de Maria, em Fátima, Portugal, foram as mais contundentes manifestações místicas católicas do século XX. Paradoxalmente Fátima é uma das filhas de Muhammad, profeta do Islão, e da sua primeira esposa Cadijalem, portanto, lembrança dos árabes que invadiram e ocuparam a Península Ibérica pela terceira vez entre 1341 a 1492.

Eram tempos em que o positivismo e o materialismo impunham suas ideologias ao mundo da política e das relações sociais. O século XIX que acabara de chegar ao fim, foi pródigo em levantes, insurreições, guerras civis contra a ordem estabelecida em favor da liberdade e da democracia e juntos com esses movimentos, muitas mudanças de costumes considerados imorais pela ótica cristã. O cenário bucólico de Fátima remete saudosamente a épocas perdidas e ao controle medieval da Igreja sobre as populações da Europa.

A Igreja Católica, monárquica e apoiadora das monarquias, embora enfraquecida pela tomada dos antigos territórios pontifícios, via mais uma vez a sua solidez doutrinária abalada, o papa Pio IX já se declarava prisioneiro do Vaticano desde 20 de setembro de 1870, embora que Leão XIII, sensível a questões sociais, já tivesse aberto a igreja para as coisas novas e verificado que o capitalismo e a industrialização eram irreversíveis. Mas o capitalismo era (e é) conservador por isso não foi assim tão difícil à Igreja aceitá-lo e inserir-se neste mesmo modelo econômico, inclusive com seus bens espalhados por toda a terra.
Após relativa paz entre as nações européias no século XIX as rivalidades entre essas nações explodem violentamente em 1914, com o que se designou de Primeira Guerra Mundial. “De um lado estavam Alemanha, Áustria-Hungria, o Império Otomano e a Bulgária (Poderes Centrais/Tríplice Aliança), enquanto que no outro lado estavam a Sérvia e a Tríplice Entente – a elástica coalizão entre França, Reino Unido e Rússia, que ganhou a participação do Reino de Itália em 1915 e dos Estados Unidos em 1917. Embora o Império Russo tenha sido derrotado em 1917 (a guerra foi uma das maiores causas da Revolução Russa, levando à formação da comunista União Soviética), a Entente finalmente prevaleceu no outono de 1918.”4

Foi nesse contexto de grandes incertezas que três crianças pobres de Fátima, em Leiria, Portugal, que cuidavam de rebanhos teriam tido visões, que arrebaratam multidões de portugueses a cada dia 13, que foram inicialmente desacreditadas pelas autoridades eclesiásticas portuguesas, mas posteriormente aceitas inclusive pela Santa Sé, como aparições de Maria, a Mãe de Jesus, conhecida neste episódio místico-religioso como Nossa Senhora de Fátima.

As mensagens das aparições consistiam em várias revelações e profecias apocalípticas sobre o futuro, duas das quais, referentes à 1º e 2º Guerras Mundiais, à conversão política da Rússia e a terceira que foi interpretada pelo Vaticano como sendo o atentado ao Papa João Paulo II na tarde de 13 de maio de 1981.
Segundo Reis, com o olhar histórico-sociológico, “Fátima surgiu-nos, assim, como uma imagem em construção no contexto da enorme tensão existente na sociedade portuguesa entre 1917 e 1930 em torno da questão religiosa. Uma representação elaborada, no caso da nossa análise, por um grupo bem definido e necessariamente atento a fenômenos do tipo de Fátima: os católicos. Ou, mais precisamente, a elite militante dos católicos, aqueles que escreviam nos jornais católicos, os liam e protestavam contra artigos que lhes desagradavam, produzindo, assim, os textos que agora nos servem de fonte. Um objeto cultural produzido no contexto de uma sociedade dominada pela ansiedade relativamente à decadência nacional e por esperanças messiânicas, seculares ou religiosas”.¹

As aparições foram divulgadas pelo mundo afora e a devoção a Nossa Senhora de Fátima. “porém, só em 1930 é que a Igreja (...) reconhece Fátima. Um reconhecimento oficial a que não terá sido alheio (...) o golpe militar de 28 de Maio de 1926. O novo regime, obscurantista católico, saído deste golpe militar e presidido pela dupla Salazar-cardeal Cerejeira, A Senhora de Fátima, com a mensagem retrógrada, moralista e subserviente que lhe é atribuída e que, ainda hoje, vai tão ao encontro da generalidade dos nossos funcionários eclesiásticos católicos e do paganismo religioso-cristão das nossas populações”³

Mesmo quando aceitas pela oficialidade da Igreja, “que, ao contrário do que pensa a maior parte das pessoas, mesmo não católicas, as aparições de Fátima não fazem parte do núcleo da Fé cristã católica, o que quer dizer que se pode não acreditar em Fátima e continuar a ser cristão católico romano”³

Fato foi que por todo o século XX as 'Aparições de Fátima' foi algo muito comentado, principalmente em torno da divulgação de um Terceiro Segredo que era guardado a sete chaves no Vaticano. Havia mil e uma especulações sobre o seu conteúdo. Aberto e divulgado em 26 de julho de 2000, por ordem do papa João Paulo, e interpretada pelo então Cardeal Ratzinger. Divulgado o tal segredo, que não continha algo tão assustador assim, o sensacionalismo midiático sobre Fátima esmoreceu, mas a devoção continua firme principalmente nos meios mais conservadores dos fies católicos.

Até os dias atuais é uma das maiores expressões de devoções marianas conhecidas no mundo. Em Portugal seu santuário é visitado por miliares de turistas, o que significa milhares de euros, inslusive considerado âncora do turismo religioso em Portugal. Segundo o blog Bordado de Murmuriossom, de esmolas são nada menos do que vinte milhões de euros anuais que Fátima arrecada e que o Vaticano pretende administrar.6 Assim, mais do que fé, Fátima significa também dinheiro, empregos permanentes a milhares de trabalhadores portugueses e à indústria do turismo internaciona. Numa Europa em crise o turismo religioso é uma de suas salvações!

Não obstante acalorados debates sobre o fato das 'aparições", que vão desde a sua aceitação incondicional, à manipulação da Igreja, a embuste de forças satânicas² (como postulam algumas seitas protestantes), a fenômeno parapsicológico, loucura coletiva ou até de presença de alienígena.

O que me chama atenção nas 'aparições' de Nossa Senhora, principalmente aquelas que foram divulgadas no século XIX, tais como Medalha Milagrosa (Paris em 1830), La Salete (Alpes franceses em 1832), Lourdes (França em 1846) todas na Europa e para europeus e voltam-se exclusivamente para o mundo europeu e em seus interesses, naquilo que causa transtorno à Europa, embora a mensagem de Fátima fale ao mundo, ao materialismo, à destruição planetária pelas armas, à crise de fé, à Igreja Católica e suas instituiçoes. Porém não se tem notícia de 'aparições', por exemplo, a nenhuma negra escrava brasileira, ou em denúncia à escravidão, ou apontando o holocausto dos judeus (Maria era judia), ou apontando à exploração de crianças e mulheres, ou de sofridos trabalhadores nas minas, nem tão pouco denunciando o colonialismo do século XV ou o neocolonialismo do século XIX que explorou da Ásia à África. Nunca há uma censura mínima ao Capitalismo, mas uma condenação permanente do Socialismo- Comunismo. Terão os céus preferências étnicas, políticas e territoriais? 

Diante de um mundo que teve todo o seu riscado geo-político e moral desfeito por todo o terrível e breve século XX, Fátima, certamente, foi e ainda é uma das maiores revelações marianas e alerta constante ao perigo da guerra, a final 70 milhões de mortos, inúmeráveis destruições e tantas misérias causadas pelas terríveis guerras do século XX é algo a se pensar!

NOTAS/REFERÊNCIAS
1- REIS, Bruno Cardoso. Fátima: a recepção nos diários católicos (1917-1930), in Análise Social, vol. XXXVI (158-159), 2001, 249-299. http://analisesocial.ics.ul.pt/documentos/1218726389B6wUN4av8Kk06UC7.pdf
2. http://www.adventistas.com/novembro/art06119903.htm
IVEIRA, Mário. Fátima Nunca Mais, 6ª ed., Porto, Campo das Letras, Editores S.A., 1999
3. http://embusteiros.blogspot.com.br/2009/05/fatima-um-embuste-da-igreja-catolica.
4. Wikpedia
5. http://bordadodemurmurios.blogspot.com.br/2006/02/ftima-so-vinte-milhes-de-euros-anuais.html

Texto de Washington Luiz Peixoto Vieira. Imagem:  Montagem do autor.

quarta-feira, 9 de maio de 2012

ANTIGAS MENTIRAS: ESQUERDA X DIREITA

Desde que a Ditadura Militar de 1964, de ‘direita’ caiu em desgraça e perdeu o poder no Brasil, geralmente associamos o termo ‘esquerda’ ao que de mais ‘humano’ poderia haver em nosso país. Imaginamos que nessa ilha ideológica movimentam-se os mais abnegados e altruístas seres humanos que o Brasil produziu nos últimos 500 anos. A história e Deus os julgarão com imparcialdiade!

Mesmo que as aparições de Nossa Senhora, em Fátima, no ano de 1917 já anunciassem atrozes ferocidades no ‘mundo comunista’ e que por fim a terrível Rússia, após décadas de regime de ferro capitulasse e que voltasse à fé cristã (leia-se ao capitalismo). Mesmo diante da grande propaganda difamatória do poder pós 1964, aos jovens e velhos que compunham a esquerda esquerda brasileira, e aos terrores do AI-5 de 1969,  o que restou viva da esquerda pós-64 saiu do mundo da 'subversão' com a coroa do martírio, ou meldalha de herói, após tantas perseguições (torturas e mortes) da ‘tigrada” no dizer de Elio Gaspari. Foi a resistencia desse pessoal movimentou o Brasil no rumo da Democracia e na conquista de alguns tênues direitos humanos.
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Foram parte desses atores, ou melhor o grupo hegemônico – ou seus ‘sucessores’ – que dizem ter levado nosso país ao estado de isonomia social, que parte da Constituição-Cidadã de 1988 e mais nitidamente após a eleição-mór de 2002, onde o Céu parecia descer à Terra. Eram as promessas messiânico-socialistas ungidas num só coração e numa só alma. Enfim, seria o fim de uma minoria que se preocupava e trabalhava pelo país, e de maioria de uns trezentos picaretas que defendiam apenas seus próprios interesses, numa clássica citação divulgada quase como citação bíblica da ‘esquerda’ confiante e militante.

Cá entre nós, no Brasil, nos reclames publicitários políticos todos de forma pasteurizada somos todos e todas iguais, igualzinhos/as, daqueles/as ‘beneficiários/as’ do bolsa família seja aquele “mecanismo condicional de transferência de recursos, que consiste na ajuda financeira às famílias pobres, definidas como aquelas que possuem renda per capita de R$ 70,00 até 140,00 e extremamente pobres com renda per capita até R$ 70,00”, àqueles poucos super-cidadãos que desfilam com carrões de 1 milhão de reais, ultrajando as leis de trânsito e atropelando outros ‘tão iguais”.

Estarrecidos, nós os pobres cidadãos-eleitores, vislumbramos essas diferenças. E na nossa inércia e apatia calamos afinal o que mais fazer, senão sermos obrigados a votar e confirmar esse sistema e status quo que nós, como conjunto social, ajudamos a manter e prosperar!

Nos tempos presentes quando o Brasil vive a hegemonia das 'esquerdas'  (ou daqueles que postulam esse título) percebemos um nivelamento entre os dois antigos viés ideológicos, como se o vértice de ambos apontasse para o que seria o 'centro', com discursos tão similares que difícil é identificar de quem se trata...

Há quem diga que a 'esquerda' direitizou-se, em pensamentos e palavras, atos e omissões. Mero engano e ilusão histórica. Esquerda e direita são meros referenciais à Revolução Burguesa da França, foi ela que criou essas terminologias para diferenciar os dois grupos antagônicos que degladiavam-se. ¹ Portanto são ideologias surgidas de uma mesma matriz: A burguesia.

Ambas, direita e esquerda, são senão irmãs gêmeas ou siamesas da própria burguesia e como tal, não podem ser, em essência, muito diferentes são só e unicamente “ou terceiro estado começa a se transformar e partidos começam a surgir com opiniões diversificadas. Os girondinos, por exemplo, representavam a alta burguesia e queriam evitar uma participação maior dos trabalhadores urbanos e rurais na política. Por outro lado, os jacobinos representavam a baixa burguesia e defendiam uma maior participação popular no governo. Liderados por Robespierre e Saint-Just, os jacobinos eram radicais e defendiam também profundas mudanças na sociedade que beneficiassem os mais pobres”.

E por aí parou. Se os grandes ideólogos da esquerda, como Karl Marx, escreveram tratados maravilhosos em favor da revolução do povo e para o povo, o povão, parece que o espírito da burguesia foi maior e a esquerda realmente é burguesa, mesmo em nações que ainda ostentam o título de ‘socialista’ ou ‘comunista’ é o capital (burguês) quem determina as regras do jogo, continua o mundo sem repartir e com o mesmo desejo de acumular, por acumular.

Intuo que a humanidade necessita de uma revolução paradigmática tão profunda que as mudanças propostas pelos ideólogos do socialismo não passem de meros vernizes superficiais. Uma mudança cultural que inclua novas formas da humanidade pensar não somente o planeta terra, ou bem mais o universo, como morada de todos os seres (inclusive os que desconhecemos). Uma revolução tão profunda que a nossa mente atrofiada de homens e mulheres do século xxi, limitada às contingências históricas e sociais, com um mundo dividido em culturas, fronteiras, economias, sistemas políticos, nem consigam intuir, mas já tão presentes nos poemas de Vladimir Maiakovski. ²

Resta, pois, que novas gerações, distantes de velhos conceitos e preconceitos burgueses, mesmo que travestidos de ‘modernidade’ e ‘atualidade’, reinventem a política, descontaminadas dos tentáculos da velha e repetida história. Mas nesse tempo restará de mim, talvez, alguns restos de ossos...

NOTAS:
1- A burguesia era a classe social cheia de grana, mas sem poder político.
2. - Vladimir Mayakovsky nasceu na Geórgia, então Rússia, em 1893. Entrou para a facção bolchevique do Partido Social-Democrático Operário Russo ainda na adolescência, sendo preso várias vezes. Junto com David Burlyuk, Khlebnikov e Kruchonykh, publica o manifesto cubo-futurista intitulado Uma bofetada no gosto do público. Após a Revolução de Outubro, trabalhou na Agência Telegráfica Russa, foi redator da revista LEF (de Liévi Front, Frente de Esquerda), escreveu teatro, fez inúmeras viagens pelo país, aparecendo diante de vastos auditórios para os quais lia os seus versos. Nuvem de calças, publicado em 1915, foi talvez o seu primeiro grande poema a ser editado. Suicidou-se com um tiro, aos 37 anos de idade, em 14 de Abril de 1930. http://pensador.uol.com.br/autor/vladimir_maiakovski/biografia 

Imagem:The Moneychanger and his Wife of  Marinus Claeszoon van Reymerswaele (c.1490–c.1546)

terça-feira, 1 de maio de 2012

TRABALHADORES DO MUNDO INTEIRO: UNI-VOS.

(Algunas notas desse blogueiro)

Com um mundo em crise econômica, os governantes muito pouco têm a dizer de positivo aos trabalhadores. A não ser, talvez, que eles (no caso nós) estamos lascados e nos preparemos para mais arrocho do que já se teve até agora, ou que a crise da atualidade será de maiores proporções que aquela da grande depressão de 1929, ou que haverá maiores cortes em benefícios sociais ou que a idade para a aposentadoria aumentará.

Certo é que os últimos anos não tem sido de grandes conquistas para os trabalhadores em nível internacional. O Estado do Bem Estar Social em pleno desmoronamento desde os anos de 1980 parece ter chegado ao fim. Crise de emprego na maior economia do planeta, os Estados Unidos e também na velha Europa, que nos fazem recordar o estória do Barão de Münchhausen¹. Se a coisa por lá continuar como anda - de mal a pior - , logo logo chega por aqui e aí não há pré-sal nem bolsa família que dê jeito!


Enfim, a crise econômica internacional é a crise do emprego e do trabalho, mas quem sofre mesmo são os trabalhadores. São esses que tem que sustentar a si e a sua família, fazendo que a crise seja a crise da família, da sua sustentabilidade e equilíbrio


Cá para nós, acostumados a perpétuas crises econômicas e de emprego, há muito só conhecemos “ensaios” do bem-estar-social, e nos encantamos com qualquer pequeno avanço, com condições de crédito capazes de financiar em 36 meses uma boa televisão, uma geladeira e quem sabe um automóvel em 60 ou de até nos endividarmos com a novidade do cartão de crédito, com módicos juros de 16 a 18% no rotativo. Estas são coisas há muito tempo rotineiras nos chamados países desenvolvidos. Há muito exportamos o filé mignon para lá e ficamos no cuscuz com charque.


Bom, estamos nos nivelando por baixo: Eles caem um pouco e nos subimos um pouco, ficamos quase iguais. Mas isso graças à boa política econômica neoliberal, de arrocho em arrocho, chegamos (ou chegaremos) lá?

É certo que nossa constituição canta e encanta maravilhas para o mundo do trabalho e utopicamente descreve o salário mínimo como “salário mínimo, fixado em lei, nacionalmente unificado, capaz de atender a suas necessidades vitais básicas e às de sua família com moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social”. Será que R$ 622,00 dá para tudo isso? Bem, ruim com ele, pior sem ele, diriam os mais pessimistas! (Não seria hora de alguém propor ao Supremo uma Ação Direta de Inconstitucionalidade sobre o valor inconstitucional do salário mínimo?)

Nacionalmente o marketing político tenta mostrar uma realidade que fica difícil de entender para quem está realmente no mundo do trabalho e não nas ilhas do bem estar palaciano que o poder proporciona.

Artigo postado no site Icó é notícia demonstram que mês de abril, em sua última semana, o Ceará encolheu em vagas de trabalho, cujos dados negativo dados vem do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) do Ministério do Trabalho e Emprego (TEM), apontaram o saldo negativo de 1.587 vagas no estado. No nosso Icó com 22 reduções de postos de trabalho.

Bom, eis um alerta para o Ceará. Se o Brasil vai à todo vapor e em pleno emprego, mil e tantos desempregos no Ceará é um alerta para a economia. Não?

Mas hoje é dia do Trabalho. É dia, pois, de o trabalhador conscientizar-se de sua condição e refletir sobre o seu lugar no mundo. Não iludir-se colocando-se como se patrão fosse, quando delegam-lhe alguma função de mando ( inclusive política, que neste caso põe-se, em muitos casos, como inimigo de seus irmãos). É dia de luta. Todavia tem se tornado em momento de grandiosas festas com artistas da mídia burguesa, distribuição de prênios, brindes e discursos proseletistas como se tem visto patrocinado pelos maiores sindicatos e poderes públicos num escrachado populismo anacrônico em busca de sócios e votos.

Todavia o dia do Trabalho e do Trabalhador é de luta. É dia de o trabalhador parar e refletir o seu papel e o seu lugar no mundo.

Talvez ainda seja dia de lembrar o velho Marx: Trabalhadores do Mundo inteiro: Uni-vos



1. http://oficinadesociologia.blogspot.com.br/2007/03/sndrome-do-baro-de-mnchhausen-em_22.html
http://pt.wikipedia.org/wiki/Bar%C3%A3o_de_M%C3%BCnchhausen