terça-feira, 14 de agosto de 2012

SAUDADES: IVANOÉ PEREIRA DE BRITO (1925-2012)


Conheci seu Ivan (como o chamava) há uns 13 ou 14 anos, cá no Recife. E de lá pra cá ficamos tão amigos que a relação de amizade transformou-se em relação de família. Era um homem essencialmente generoso!

Sua casa virou um referencial da ‘casa do pai’ dada a sua sinceridade e sua capacidade de acolher as pessoas. Seus conselhos um norte para as decisões que a vida nos induz a tomar.

Á menor dificuldade seu Ivan não negava a sua ajuda e sua compreensão
.
Durante sua vida aprendeu a arte da mecânica, mais do que “um doutor” como um dia me disse um dos seus aprendizes de oficina mecânica: “ ele sabe montar e desmontar um carro”. 

Ontem, depois de longa enfermidade O Eterno o chamou para sua morada. E ele está lá junto de Deus, que com certeza depois de alguns dias de descanso pedirá a Ivanoé para dar aula de paciência e generosidade a muita gente boa que está lá por cima.

Saudades, Seu Ivan!

obs: Nascido em 1925 e falecido em 2012.

http://www.grupovila.com.br/localizacao-de-jazigo/?stxt1=IVANOE%20PEREIRA%20DE%20BRITO&ssel1=MO_REC&offset=

segunda-feira, 28 de maio de 2012

TIA NENÉM (1924-2012)

Neném Vieira, ou melhor Francisca Amélia Vieira, é a filha mais velha de Francisco (1898 - 1975) e Luíza Vieira (1905 1978) . Nascida na Rua da Cruz, em Viçosa do Ceará, em 1924. No ano de 1939 toda a família mudou-se para a casa da rua Padre Beviláqua, onde vive até os dias atuais.

Foi ali, na rua da Cruz, que Neném e suas irmãs mais novas, Amelinha, Nitinha e Dolena, brincavam na infância. Na época a cidade ainda voltava-se para aquelas bandas, perto das "Bananeiras", estrada de Granja, onde havia o antigo cemitério em ruínas. Era ali que as irmãs e suas companheiras brincavam, subiam nas fruteiras, percorriam os sítios, tomavam banho na Remelosa, brincavam de roda, mexiam nos ninhos dos passarinhos, recolhiam os ovos da galinhas, aprendiam o catecismo, e escutavam estórias de Trancoso, contadas pelo pai, na hora de dormir. Eram uma família feliz.

Por volta de 1932 ou 1934, diferentemente do que se entendia sobre educação de meninas, seu pai, que era integralista, matriculou as meninas mais velhas na "Escolas Reunidas de Viçosa do Ceará", instituição escolar fundada por iniciativa do Governador Justiniano de Serpa, em ato governamental de 16 de dezembro de 1922, e que funcionava no prédio, que havia sido o Hospício da Ibiapaba, pertencente à Companhia de Jesus, no século XVIII, junto à casa paroquial. Teve como professores Raimunda Viana Bezerril (Dona Carucha), Maria Estelita Chaves Matos, Maria Neuza Queiroz, Marizita Bezerra, Silvia Coelho de Albuquerque e Salústio de Pinho Pessoa.  Este prédio, infelizmente foi paulatinamente transformando-se em ruínas, sendo na década de 1970, edificado sob os seus alicerces o "Salão Paroquial", com recursos do Adiviat.

As Escolas Reunidas era um projeto do movimento Escola Nova, que defendia a universalização da escola pública, laica e gratuita, lideradas pelo Educador Lourenço Filho, implementadas no Ceará a partir de 1923, em consonância com outros educadores em nível nacional, tais Anísio Teixeira, na Bahia, em 1925, Francisco Campos e Mario Casassanta, em Minas Gerais, 1927, Carneiro Leão, em Pernambuco, em 1928.

Nas Escolas Reunidas de Viçosa do Ceará, aprendeu as primeiras letras e o que hoje se pode considerar as primeiras séries do ensino fundamental. Posteriormente seus estudos foram complementados no Externato Clóvis Beviláqua, que funcionava no prédio do Catete,(4) instituição privada idealizada e dirigida pelo Drs. Armando Lousada, então juiz de Direito da Comarca, João Magalhães e Salústio de Pinho Pessoa, cujos colegas de turma foram Maria Rocha, Wanda e Domitila de Castro, Edson Urano de Carvalho, dentro outros.¹

Era o máximo que a educação em Viçosa conseguira avançar, mas o suficiente para a formação de professoras leigas, de forma que em 1948, ela passaria a ensinar, juntamente com Amelinha, na Escola particular pertencente ao Dr. Salustio de Pinho Pessoa e posteriormente na Escola Rural.

A "Escola Rural" foi um projeto piloto de erradicação do analfabetismo, "subscrita pelos deputados João Cleofas (UDN-PE), Alde Sampaio (UDN-PE), Gilberto Freire (UDN-PE), João Ursulo Ribeiro Coutinho (UDN-PB), Dolor de Andrade (UDN-MT) e Lima Cavalcanti (UDN-PE), em 8 de junho de 1946, a Emenda n º. 559 propunha que a União mantivesse as “escolas modelo, de tipo rural” com o objetivo de erradicar o analfabetismo e difundir o ensino técnico-profissional no “interior”, ³ em contraponto às ideias do Movimento de Educação de Base (MEB), e fundamentados na ideia de uma espécie de "Escola Nova Católica".

Esse projeto estava fundamentado na Carta Constitucional de 1946, promulgada em 18 de setembro de 1946 (Estado Novo), atribuindo à União a tarefa de fixar diretrizes e bases da educação nacional, mas ao mesmo tempo transformara , neste período pós-guerra,(6) a educação em um aparelho a serviço dos interesses e necessidades do Estado e do “culto à personalidade” de Vargas. A visão de uma educação disciplinadora e construtora de uma sociedade corporativista, pensada pelos setores conservadores desde a década de 20, assumira forma concreta no período 1937-45.²

No Estado do Ceará, este projeto passou a ser de responsabilidade dos municípios, cujos primeiros prefeitos eleitos pelo voto direto ocorreram em 1947, sendo eleito prefeito de Viçosa do Ceará em 1947, José Crispiniano Figueira (UDN – União Democrática Nacional), tendo a frente do projeto de educação dona Zilda Rosa Barros. Este projeto viria a ser encerrado por volta de 1950, quando assumiu a gestão municipal o grupo do PSD (PSD – Partido Social Democrata). Eram os tempos da políticas que mudavam da água para o vinho, conforme o sabor das eleições.

Assim, dona Neném foi nomeada para uma cadeira da "Escola Rural", porém nunca recebeu um centavo pelos serviços prestados ao Estado através de seu “projeto”. Sem receber o dinheiro suado com seu trabalho de mestra, por mais ou menos dois anos, passou com a o apoio de meu avô a dar aulas em casa, como professora particular, ora de reforço escolar, ora de alfabetização, ler, escrever, tabuada e noções de aritmética (como se dizia naqueles tempos).

Nesta nova empreitada, decepcionada com as "coisas de políticos", toda a casa era utilizada como escola. Como sala de aula, a sala de jantar e como banca de estudos a mesa de cedro de mais ou menos dois metros e meio de comprimento, que era a mesa de almoço. Essa mesa fora vendida em 1939 por dona Nenzinha Beviláqua (Martiniana), em conjunto com a casa, e que a tradição da família conta que a era onde o padre José Beviláqua utilizava para tudo, inclusive para realizar partos e cirurgias. A mesa ainda hoje está em nossa casa, uma relíquia de família, cheia de lembranças e muitas histórias...

Integrante da Pia União das Filhas de Maria, a mais importante associação católica de moças de meados do século passado, que agregava dezenas de jovens da paróquia de Viçosa, surgiu-lhe a vocação religiosa, cujo projeto seria o ingresso na Congregação das Irmãs Josefinas, que aquela época conquistara muitas moças, porém Amelinha, já se tornara Irmã Lúcia e Maria Helena (Dolena) Irmã Catatina, ambas filhas da Caridade de São Vicente de Paulo, cautelosa, sendo a mais velha das irmãs, abdicou do projeto pessoal, dedicando-se à família. Com o pouco dinheiro que ganhava nas aulas particulares, ajudava no que podia nas despesas domésticas.

E daí por diante, até a década de 1970, seria uma das professoras particulares mais requisitadas da cidade, e por ela passaram várias gerações a alunos e alunas, de vários níveis sociais. Era na mesa da sala de jantar e espalhada pela casa toda que os alunos se assentavam.

Utilizando “modelos pedagógicos” hoje em desuso, muitos meninos levaram bons puxavancos de orelha e aprenderam a ler, escrever e a contar. Pouco, mas coisas essenciais para a vida simples da Viçosa daquelas anos.

Nos anos de 1970 ela ainda aventurou-se na formação de turmas do Movimento Brasileiro de Alfabetização (MOBRAL), mas dona Neném já estava “cansada de guerra”, os tempos eram outros, as ideologias educacionais também e seus conhecimentos, outrora tão úteis, já não correspondiam ao que a legislação exigia! Era a vez das professoras formadas em Escolas Normais e ainda de algumas que tinham conseguido “cadeiras” do Estado.


Hoje Dona Neném, uma heroína da educação, já com os esquecimentos dos seus 88 anos, doentinha, lembra de pouca coisa, mas bem mais esquecida está a nossa Viçosa, que nunca prestou-lhe uma homenagem sequer, nem um preito de gratidão a essa antiga educadora, hoje, talvez a única remanescente daquela geração de pioneiros na educação viçosense.











CONCLUSÃO:

Dona Neném faleceu piedosamente às 20h15 do dia 3 de Junho de 2012 (domingo), tendo recebido o Sacramento da Unção dos Enfermos e  a Eucaristia, os últimos sacramentos cristãos.

Foi internada no Hospital Municipal de Viçosa no dia 21/05, como todos os homens e mulheres deste país, internada que foi na rede SUS (aquela mesma rede de saúde pública que foi motivo da Campanha da Fraternidade da CNBB) como seu último Calvário.

Durante seus últimos momentos esteve assistida por suas irmãs Carmélia e Irmã Lúcia (Amelinha), pela atenciosa jovem Priscila, familiares e  amigos,  foi velada em sua casa e sepultada no Cemitério São João Batista de Viçosa do Ceará.

Uma vida santa, sem mácula. Solteira e Virgem. Com toda a certeza posso afirmar, como testemunha de sua vida,  que ela encontra-se na Morada dos Justos, onde contempla a Sagrada Face de Deus!


REFERÊNCIA:

1. Informações da biografada, naquilo que ela conseguiu se lembrar. Aos passos que a mesma for lembrando-se reeditaremos o texto.
2. Os liberais e a educação: a UDN e a vinculação de recursos para a educação na Constituinte de 1946. Wellington Ferreira de Jesus – UFG
3. Idem Ferreira de Jesus.
4. O Prédio do Catete, localiza-se na atual Rua Professor João Viana, nº 520 , onde hoje funciona o Cartório do Segundo Ofício.



GENELALOGIA DE DONA NENÉM VIEIRA:
http://iconacional.blogspot.com/2009/03/blog-post_18.html

http://iconacional.blogspot.com/2009/05/familias-vicosenses-marques-viana.html
Foto modificada em 28/04/2010

Texto atualizado em 07/05/2010, com a inclusão de professores anteriormente não informados, após informações complementares de dona Nonón Bizerril, de Viçosa do Ceará

Texto atualizado em 07/06/2012, em razão de sua morte.




sábado, 12 de maio de 2012

APARIÇÕES DE FÁTIMA




Cercadas de grande mistério em uma Europa amedrontada em 1917 por sucessivas crises, novos movimentos que abalavam as estruturas do velho mundo e à porta da primeira grande guerra, as aparições de Maria, em Fátima, Portugal, foram as mais contundentes manifestações místicas católicas do século XX. Paradoxalmente Fátima é uma das filhas de Muhammad, profeta do Islão, e da sua primeira esposa Cadijalem, portanto, lembrança dos árabes que invadiram e ocuparam a Península Ibérica pela terceira vez entre 1341 a 1492.


Eram tempos em que o positivismo e o materialismo impunham suas ideologias ao mundo da política e das relações sociais. O século XIX que acabara de chegar ao fim, foi pródigo em levantes, insurreições, guerras civis contra a ordem estabelecida em favor da liberdade e da democracia e juntos com esses movimentos, muitas mudanças de costumes considerados imorais pela ótica cristã. O cenário bucólico de Fátima remete saudosamente a épocas perdidas e ao controle medieval da Igreja sobre as populações da Europa.

A Igreja Católica, monárquica e apoiadora das monarquias, embora enfraquecida pela tomada dos antigos territórios pontifícios, via mais uma vez a sua solidez doutrinária abalada, o papa Pio IX já se declarava prisioneiro do Vaticano desde 20 de setembro de 1870, embora que Leão XIII, sensível a questões sociais, já tivesse aberto a igreja para as coisas novas e verificado que o capitalismo e a industrialização eram irreversíveis. Mas o capitalismo era (e é) conservador por isso não foi assim tão difícil à Igreja aceitá-lo e inserir-se neste mesmo modelo econômico, inclusive com seus bens espalhados por toda a terra.

Após relativa paz entre as nações européias no século XIX as rivalidades entre essas nações explodem violentamente em 1914, com o que se designou de Primeira Guerra Mundial. “De um lado estavam Alemanha, Áustria-Hungria, o Império Otomano e a Bulgária (Poderes Centrais/Tríplice Aliança), enquanto que no outro lado estavam a Sérvia e a Tríplice Entente – a elástica coalizão entre França, Reino Unido e Rússia, que ganhou a participação do Reino de Itália em 1915 e dos Estados Unidos em 1917. Embora o Império Russo tenha sido derrotado em 1917 (a guerra foi uma das maiores causas da Revolução Russa, levando à formação da comunista União Soviética), a Entente finalmente prevaleceu no outono de 1918.”4

Foi nesse contexto de grandes incertezas que três crianças pobres de Fátima, em Leiria, Portugal, que cuidavam de rebanhos teriam tido visões, que arrebaratam multidões de portugueses a cada dia 13, que foram inicialmente desacreditadas pelas autoridades eclesiásticas portuguesas, mas posteriormente aceitas inclusive pela Santa Sé, como aparições de Maria, a Mãe de Jesus, conhecida neste episódio místico-religioso como Nossa Senhora de Fátima.

As mensagens das aparições consistiam em várias revelações e profecias apocalípticas sobre o futuro, duas das quais, referentes à 1º e 2º Guerras Mundiais, à conversão política da Rússia e a terceira que foi interpretada pelo Vaticano como sendo o atentado ao Papa João Paulo II na tarde de 13 de maio de 1981.

Segundo Reis, com o olhar histórico-sociológico, “Fátima surgiu-nos, assim, como uma imagem em construção no contexto da enorme tensão existente na sociedade portuguesa entre 1917 e 1930 em torno da questão religiosa. Uma representação elaborada, no caso da nossa análise, por um grupo bem definido e necessariamente atento a fenômenos do tipo de Fátima: os católicos. Ou, mais precisamente, a elite militante dos católicos, aqueles que escreviam nos jornais católicos, os liam e protestavam contra artigos que lhes desagradavam, produzindo, assim, os textos que agora nos servem de fonte. Um objeto cultural produzido no contexto de uma sociedade dominada pela ansiedade relativamente à decadência nacional e por esperanças messiânicas, seculares ou religiosas”.¹

As aparições foram divulgadas pelo mundo afora e a devoção a Nossa Senhora de Fátima. “porém, só em 1930 é que a Igreja (...) reconhece Fátima. Um reconhecimento oficial a que não terá sido alheio (...) o golpe militar de 28 de Maio de 1926. O novo regime, obscurantista católico, saído deste golpe militar e presidido pela dupla Salazar-cardeal Cerejeira, A Senhora de Fátima, com a mensagem retrógrada, moralista e subserviente que lhe é atribuída e que, ainda hoje, vai tão ao encontro da generalidade dos nossos funcionários eclesiásticos católicos e do paganismo religioso-cristão das nossas populações”³

Mesmo quando aceitas pela oficialidade da Igreja, “que, ao contrário do que pensa a maior parte das pessoas, mesmo não católicas, as aparições de Fátima não fazem parte do núcleo da Fé cristã católica, o que quer dizer que se pode não acreditar em Fátima e continuar a ser cristão católico romano”³

Fato foi que por todo o século XX as 'Aparições de Fátima' foi algo muito comentado, principalmente em torno da divulgação de um Terceiro Segredo que era guardado a sete chaves no Vaticano. Havia mil e uma especulações sobre o seu conteúdo. Aberto e divulgado em 26 de julho de 2000, por ordem do papa João Paulo, e interpretada pelo então Cardeal Ratzinger. Divulgado o tal segredo, que não continha algo tão assustador assim, o sensacionalismo midiático sobre Fátima esmoreceu, mas a devoção continua firme principalmente nos meios mais conservadores dos fies católicos.

Até os dias atuais é uma das maiores expressões de devoções marianas conhecidas no mundo. Em Portugal seu santuário é visitado por miliares de turistas, o que significa milhares de euros, inslusive considerado âncora do turismo religioso em Portugal. Segundo o blog Bordado de Murmuriossom, de esmolas são nada menos do que vinte milhões de euros anuais que Fátima arrecada e que o Vaticano pretende administrar.6 Assim, mais do que fé, Fátima significa também dinheiro, empregos permanentes a milhares de trabalhadores portugueses e à indústria do turismo internaciona. Numa Europa em crise o turismo religioso é uma de suas salvações!

Não obstante acalorados debates sobre o fato das "aparições", que vão desde a sua aceitação incondicional, à manipulação da Igreja, a embuste de forças satânicas² (como postulam algumas seitas protestantes), a fenômeno parapsicológico, loucura coletiva ou até de presença de alienígena.

O que me chama atenção nas "aparições" de Nossa Senhora, principalmente aquelas que foram divulgadas no século XIX, tais como Medalha Milagrosa (Paris em 1830), La Salete (Alpes franceses em 1832), Lourdes (França em 1846) todas na Europa e para europeus e voltam-se exclusivamente para o mundo europeu e em seus interesses, naquilo que causa transtorno à Europa, embora a mensagem de Fátima fale ao mundo, ao materialismo, à destruição planetária pelas armas, à crise de fé, à Igreja Católica e suas instituiçoes. Porém não se tem notícia de '"aparições", por exemplo, a nenhuma negra escrava brasileira, ou em denúncia à escravidão, ou apontando o holocausto dos judeus (Maria era judia), ou apontando à exploração de crianças e mulheres, ou de sofridos trabalhadores nas minas, nem tampouco denunciando o colonialismo do século XV ou o neocolonialismo do século XIX que explorou da Ásia à África. Nunca há uma censura mínima ao Capitalismo, mas uma condenação permanente do Socialismo- Comunismo. Terão os céus preferências étnicas, políticas e territoriais? 

Diante de um mundo que teve todo o seu riscado geo-político e moral desfeito por todo o terrível e breve século XX, Fátima, certamente, foi e ainda é uma das maiores revelações marianas e alerta constante ao perigo da guerra, a final 70 milhões de mortos, inúmeráveis destruições e tantas misérias causadas pelas terríveis guerras do século XX é algo a se pensar!

NOTAS/REFERÊNCIAS
1- REIS, Bruno Cardoso. Fátima: a recepção nos diários católicos (1917-1930), in Análise Social, vol. XXXVI (158-159), 2001, 249-299. http://analisesocial.ics.ul.pt/documentos/1218726389B6wUN4av8Kk06UC7.pdf
2. http://www.adventistas.com/novembro/art06119903.htm
IVEIRA, Mário. Fátima Nunca Mais, 6ª ed., Porto, Campo das Letras, Editores S.A., 1999
3. http://embusteiros.blogspot.com.br/2009/05/fatima-um-embuste-da-igreja-catolica.
4. Wikpedia
5. http://bordadodemurmurios.blogspot.com.br/2006/02/ftima-so-vinte-milhes-de-euros-anuais.html

Texto de Washington Luiz Peixoto Vieira. Imagem:  Montagem do autor.

Atualizado em 13 de maio de 2017.

terça-feira, 24 de abril de 2012

CONTO: O MENINO E A BORBOLETA

Muito, muito distante daqui havia uma aldeia. A aldeia ficava no meio das montanhas, rodeada de florestas, riachos, pássaros e borboletas. Ali o sol demorava a chegar pelas manhãs e ia embora logo cedo.

Naquela aldeia havia um menino sonhador.

Ele falava com as matas, com os riachos, com as borboletas.Sempre que o menino queria sonhar ou estava pensativo, ou triste ele saia de sua cabana e ia sentar-se à beira do pequeno riacho.

O menino sonhava em sair da aldeia, visitar, morar em países, em aldeias distantes. Naquela aldeia, pensava, não lhe cabia mais. Estava cansado do dia a dia, das pessoas que só “pensam em nascer, em morrer”. Queria conhecer novas pessoas, brincar com novos amiguinhos, queria saber de novas histórias. Parecia que tudo ali era pequeno!

Certo dia, sentado na beira do riacho, estava calado, pensativo, quase taciturno. Parecia que não ouvia mais o som das florestas, o canto dos pássaros, era como que todo o encanto de sua inocência tivesse se perdido. Estava triste.

De repente, surgiu a sua frente uma bela borboleta, daquelas que somente a magia pode criar.

- O que tens, meu menino, porque estás triste? O que te incomoda?

Perguntou-lhe a borboleta.

- Ah, borboletinha, estou triste porque não posso voar. Não posso ser como você que voa para onde quer, podes conhecer o mundo. Eu nada posso, fico apenas nesta minha aldeia, vendo as mesmas coisas. Queria conhecer o mundo!

A borboletinha, pensou, pensou e lhe respondeu:

- Não fique triste, você também pode ter asas. Sabia? Venha comigo que eu lhe mostrarei uma coisa.

Assim, a borboleta ia voando, voando e o menino atrás dela. Até que chegaram a um campo, na clareira da floresta. Então ela baixando-se, mostrou-lhe uma folhinha verde onde havia botados os seus ovinhos. Não havia mais ovinhos, somente lagartinhas, que se mexiam por sobre as folhagens.

- Veja, são meus filhotes! Não são belos?

Qual susto o menino não tomou, ao ver aquelas lagartinhas. Imaginava que veria uma infinidade de borboletinhas amarelas...

- Isso não são borboletas – disse-lhe, são lagartas!

Ao que ela retrucou.

- São borboletas em fase de crescimento, elas já foram ovos, larvas, crisálidas e em breve criarão belas asas e voarão pelo mundo! Assim são as borboletas, elas passam permanentemente por fases de transformação, até que dia, quando adultas, poderão seguir o seu caminho, voar por outros campos, outras matas, ir para longe, fecundando as flores, ou ficar em sua mata nativa, dando vida à natureza, encontrando sua própria lenda.

O menino encantou-se, com as palavras de sua amiguinha, e assim compreendeu que precisava deixar de ser um casulo resmungão, deixar que as asas de sua imaginação crescessem, assim ele poderia, como as lindas borboletas, voar para onde bem quisesse, livre, e buscar o seu próprio sonho, sua lenda pessoal, mesmo que fossem nas flores de seu próprio quintal, de sua própria aldeia.

Assim, ele voltou alegre para casa, imaginando que a magia do tempo lhe daria asas para voar!.



CONTO CRIADO POR WASHINGTON LUIZ PEIXOTO VIEIRA, COM DIREITOS AUTORAIS NA FORMA DA LEI Nº 9.610, POSTADO INICIALMENTE EM 2011