sexta-feira, 10 de janeiro de 2020

CONTOS PARA QUEM É CRIANÇA E PARA QUEM DEIXOU DE SER: O MENINO E A BORBOLETA

Muito distante daqui havia uma aldeia.
A aldeia ficava no meio das montanhas, rodeada de florestas, riachos, pássaros e borboletas.
Ali o sol demorava a chegar pelas manhãs e ia embora logo cedo.

Naquela aldeia havia um menino sonhador. Ele falava com as matas, com os riachos, com as borboletas.

Sempre que o menino queria sonhar ou estava pensativo, ou triste ele saia de sua cabana e ia sentar-se à beira do pequeno riacho.

O menino sonhava em sair da aldeia, visitar, morar em países, em aldeias distantes.

Naquela aldeia, pensava, não lhe cabia mais.
cansado do dia a dia, das pessoas que só “pensam em nascer, em morrer”. Queria conhecer novas pessoas, brincar com novos amiguinhos, queria saber de novas histórias. Parecia que tudo ali era pequeno!

Certo dia, sentado na beira do riacho, estava calado, pensativo, quase taciturno. Parecia que não ouvia mais o som das florestas, o canto dos pássaros, era como que todo o encanto de sua inocência tivesse se perdido. Estava triste.

De repente, surgiu a sua frente uma bela borboleta amarela.

- O que tens, meu menino, porque estás triste? O que te incomoda?

Perguntou-lhe a borboleta.

- Ah, borboletinha, estou triste porque não posso voar. Não posso ser como você que voa para onde quer, podes conhecer o mundo. Eu nada posso, fico apenas nesta minha aldeia, vendo as mesmas coisas. Queria conhecer o mundo!

A borboletinha, pensou, pensou e lhe respondeu:

- Não fique triste, você também pode ter asas. Sabia? Venha comigo que eu lhe mostrarei uma coisa.

Assim, a borboleta ia voando, voando e o menino atrás dela. Até que chegaram a um campo, na clareira da floresta. Então ela baixando-se, mostrou-lhe uma folhinha verde onde havia botados os seus ovinhos. Não havia mais ovinhos, somente lagartinhas, que se mexiam por sobre as folhagens.

- Veja, são meus filhotes! Não são belos?

Qual susto o menino não tomou, ao ver aquelas lagartinhas. Imaginava que veria uma infinidade de borboletinhas amarelas...

- Isso não são borboletas – disse-lhe, são lagartas!

Ao que ela retrucou.

- São borboletas em fase de crescimento, elas já foram ovos, larvas, crisálidas e em breve criarão belas asas e voarão pelo mundo! Assim são as borboletas, elas passam permanentemente por fases de transformação, até que dia, quando adultas, poderão seguir o seu caminho, voar por outros campos, outras matas, ir para longe, fecundando as flores, ou ficar em sua mata nativa, dando vida à natureza, encontrando sua própria lenda.

O menino encantou-se, com as palavras de sua amiguinha, e assim compreendeu que precisava deixar de ser um casulo resmungão, deixar que as asas de sua imaginação crescessem, assim ele poderia, como as lindas borboletas, voar para onde bem quisesse, livre, e buscar o seu próprio sonho, sua lenda pessoal, mesmo que fossem nas flores de seu próprio quintal, de sua própria aldeia.

Assim, ele voltou alegre para casa e esperou que o tempo lhe desse asas para voar!


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CONTO CRIADO POR WASHINGTON LUIZ PEIXOTO VIEIRA, COM DIREITOS AUTORAIS NA FORMA DA LEI Nº 9.610/98- SE COPIAR CITE A FONTE

ESTÓRIAS PARA QUEM É CRIANÇA E PARA QUEM DEIXOU DE SER: A TRISTEZA DAS FLORES DE MENTIRA

Faz alguns anos que conheci um Mago. Era um Mago extraordinário. Falava de flores, de montanhas, de gente, de Deus, com uma familiaridade de quem os conhece na intimidade.

Era um sábio!
.Hoje ele habita lá no horizonte, onde os nossos olhos não conseguem ver.

Certa vez esse mago escreveu sobre o maior desejo das flores de plástico, aquelas belas flores que enfeitam por anos as nossas mesas, as nossas estantes, tão prestativas mas não são flores são apenas plástico com forma de flor....

Pobrezinhas nunca sentiram, por uma vez só que fosse o orvalho das manhãs, o nascer do sol! Sentir a vida!

Oh, quanto dissabor as pobrezinhas não padecem..... que sentimento de inveja e revolta elas não sentem, quando em dias especiais são substituídas por flores de verdade e levadas para os quartos de despejo, enquanto as flores de verdade, efêmeras, reinam apenas por algumas horas e fenecem....

Mas, elas não passam de flores de plástico, artificiais, não tem vida própria. São pura imitação!

Como será triste ser uma flor, uma rosa, um lírio de plástico.... Oh, como é triste...

.TEXTO DE WASHINGTON LUIZ PEIXOTO VIEIRA E COLABORADORES, COM DIREITOS AUTORAIS NA FORMA DA LEI Nº 9.610/98- SE COPIAR CITE A FONTE, EDITADO ANTERIORMENTE COM PEQUENA ALTERAÇÃO http://iconacional.blogspot.com/2009/09/as-flores-de-plastico.html