quinta-feira, 10 de março de 2016

SANTO ANTONIO, O PADROEIRO ESQUECIDO DO RECIFE


Santo Antônio é o padroeiro oficial do Recife, e ao que parece não foi demitido. Nossa Senhora do Carmo foi elevada a Excelsa Padroeira quase 300 anos depois do santo ser o soberano na proteção da cidade. E muita gente equivocada pensa que sua matriz é a chamada "Igreja de Santo Antonio". Essa, na verdade é a Igreja do Santíssimo Sacramento, da paróquia do mesnmo nome.
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A imagem original fica alojada em um nicho ao lado esquerdo do altar-mor, na Rua do Imperador, onde situa-se o Convento e Igreja de Santo Antônio do Recife. São edificações religiosas pertencentes à Ordem Franciscana, integrando um conjunto de edifícios, dos quais fazem parte além do Convento e da Igreja, a Capela Dourada e o Museu Franciscano de Arte Sacra. O Convento Franciscano de Santo Antônio é uma das construções mais antigas ainda existentes na cidade do Recife. Cujas origens remontam a 28 de outubro de 1606, " data em que os frades resolveram erguer um convento na Ilha dos Navios para atender à população próxima ao porto. A ilha mais tarde veio a receber o nome de Ilha de Antônio Vaz, e desenvolveu-se no atual bairro de Santo Antônio".¹
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A devoção a Santo Antônio vem de Portugal, quando para o Brasil vieram os primeiros colonos. Em Lisboa, terra do santo, é a festa mais popular, cuja patronesse foi decretada por breve do papa Pio XI, como segundo padroeiro das terras lusas, em 1934, coadjuvando Nossa Senhora da Conceição, que já era a padroeira desde 1646, por ato do Rei D. João IV (O Restaurador), e não do Papa.

A hegemonia do culto a Nossa Senhora do Carmo, no Recife, tem origens históricas a partir do século XVII, quando a primeira festa dedicada a ela se realizou em 1584. Isso acontece a partir da fundação do convento do Carmo em Olinda, em anexo da Igreja de Santo Antonio, erguida sob vetusta capelinha onde os primeiros carmelitas se estabeleceram. Essa igreja, é berço da ordem religiosa no Brasil.As homenagens a nossa Senhora do Carmo eram feitas inicialmente no dia 17 de julho, somente na segunda metade do século 16 foram antecedidas para o dia 16.
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Em 1909, a Virgem do Carmo foi proclamada a Excelsa Padroeira do Recife pelo papa Pio X. sendo Arcebispo de Olinda dom Luis Raimundo da Silva Brito (1901-1915), 1º Arcebispo de Olinda, sendo solenemente coroada como padroeira no dia 21 de setembro de 1919, por Dom Sebastião Leme da Silveira Cintra (1916/1921), então o 2º Arcebispo de Olinda e Recife, já sob o pontificado de Bento XV.

Nossa Senhora da Penha é, no Recife, a padroeira do comércio. Recife foi a cidade dos mascates e Santo Antonio marca a fundação da vila. A exaltação de Nossa Senhora do Carmo, revela que os carmelitas conseguiram sobrepor sua devoção, própria da ordem, ao gosto popular e também das elites.

Atualmente as festividades no bairro de Santo Antônio resumem-se a missas no Convento Franciscano, na rua do Imperador, missas na Matriz do Santíssimo Sacramento de Santo Antônio, onde são bentos pães, dentro da tradição lusitana: "quem quem levar um desses pães para casa e colocá-lo num pote de farinha, não faltará alimento durante o ano inteiro".

O verdadeiro nome de Santo é Antônio Fernando de Bulhões, (aliás o nome do atual Arcebispo Metropolitano) nascido em Portugal e que ainda jovem ingressou na Ordem dos Agostinianos, no Convento de São Vicente. A troca para Antonio se deu quando ele ingressou na ordem de São Francisco de Assis, os Franciscanos.
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Conta a tradição que Antônio levou o Evangelho até a África, onde fez os primeiros milagres. Morreu em Pádua, Itália, em 13 de junho de 1231. O fato é que a antiga Vila de Santo Antônio do Recife esqueceu seu padroeiro.
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Foto: Imagem de Santo Antonio existente na Igreja do Convento franciscano na Rua do Imperador, Recife, Pernambuco.

Um comentário:

paulo disse...

sou totalmente de acordo com sua opiniao! sou seminarista e vejo que o glorioso antônio foi esquecido na cidade do recife! amo a virgem maria, mas nao se deve esquecer do bondoso patrocínio de santo antônio!